Como é duro ser global

Global aqui é global mesmo. Planetário. Até porque o fato se deu na Record.

A reportagem é sobre a falta de educação no ambiente social. A repórter está numa escada rolante, mostrando que o filho de boa família abre espaço para quem tem pressa. Para fazer isso, o bem educado pára do lado direito, deixando a esquerda livre para quem precisa sair correndo…

Errado, fofa.

Isso vale para os países que usam a mesma mão de direção que o Brasil. Mas quem tem a chamada mão inglesa (ingleses, escoceses, japoneses, indianos, e um imenso número de africanos) parar do lado esquerdo é uma tremenda falta de touché – ui!

Como a amiga repórter fala num canal que é simultaneamente transmitido para o resto do mundo pela Record Internacional, deveria lembrar disso na hora de escrever o texto.

Mas nem culpo a repórter. A turma sequer leva em conta que o Brasil é grande na hora de fazer matéria, quanto mais que sua carinha está rodando o planeta. Pautas são elaboradas e produzidas por ou para paulistas, cariocas e mineiros – nesta ordem. Do resto o local cuida.

Lutei muito contra isso na redação da TV Brasil. Mas, se bobeasse, a moçada esquecia de, ao dizer um horário, completar informando tratar-se da hora de Brasília; usava gírias cariocas ou paulistas – mas pedia pra mudar o texto quando surgia uma expressão diferente nos textos aque vinham de Manaus ou Recife.

O motivo é comercial. É ali que está a bufunfa e só ali funciona o IBOPE minuto-a-minuto. Logo, é para eles que falamos. Também tem um pouco de desconhecimento. E até uma pitadinha de bairrismo.

Aprendi muito sobre esse troço com meu amigo Pedro Bassan. Na minha primeira copa, em 98, a Rádio Bandeirantes fez um acordo com uma rádio de Paris que só falava portugues (já falei disso no blog – relembre aqui . Apresentávamos programas que eram transmitidos simultaneamente no Brasil, na França, Portugal e até na Austrália e Canadá, numa cadeia bem interessante. Fora a Bandeirantes, todas as demais falavam para público lusitano.

Pois um dia Bassan cruza comigo no centro de imprensa e diz, que eu tinha atrapalhado bem aquele dia dele. “Mas por que”, perguntei. “Porque voce falou que hoje era dia do rodízio pros carros com placas tal e tal.”

“É, lá em São Paulo”, disse eu.

“Pois na próxima diga bem alto – e repita 50 vezes – que é só pra São Paulo. Porque meu motorista portugues não queria sair da garagem de jeito nenhum”.

Claro que era sarro. Mas serviu de alerta.

Quer dizer, espero que tenha sido só sarro mesmo…

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2 comentários sobre “Como é duro ser global”

  1. Edu, tem coisa pior. Colegas na minha redação em Curitiba pensam que Foz do Iguaçu fica na região de Londrina… Imagina o que fariam soltos no mundo ?!

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