Malária na Agência Brasil

São duas reportagens. Links aqui e aqui
10:58
14/05/2010
Moçambique está perto de registrar primeira vacina contra malária

Eduardo Castro
Correspondente da EBC para a África

Maputo – Um centro de estudos de Moçambique está perto de registrar a primeira vacina contra a malária, a doença que mais mata no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 3,3 bilhões de pessoas – metade da população do planeta – estão expostas ao também chamado paludismo. São infectados anualmente 150 milhões – o equivalente às populações somadas do Brasil, de Portugal e da Espanha. O número de mortes por ano chega a 1 milhão.

Mais uma rodada de testes de campo foi feita nessa quinta-feira (13) em Manhiça, vila que fica a 100 quilômetros de Maputo, capital moçambicana. Lá é que está instalado o Centro de Investigação de Saúde de Manhiça (Cism) – instituição criada em 1996 como resultado da cooperação bilateral entre os governos local e da Espanha. O Cism é o primeiro centro de investigação biomédica moçambicano para combater doenças que são causa e consequência da pobreza, como a malária, a aids, a tuberculose, as pneumonias e as doenças diarreicas. O centro tem laboratórios em que são desenvolvidas pesquisas que auxiliam no tratamento da população da região.

Uma dessas pesquisas é a da vacina RTS-S, que está na terceira fase de testes, de quatro necessárias à qualificação para uso. Nessa fase, grupos de voluntários recebem doses da vacina para avaliação e acompanhamento. Antes disso, foram feitos testes pré-clinicos em laboratório, para avaliar a segurança do fármaco. Na segunda fase, a vacina passou por testes de eficácia e resposta imunogênica. Depois de terminada a fase atual, o produto ainda terá que ser aprovado e registrado pelos diversos órgãos internacionais para ser comercializado.

O pesquisador-chefe Jahit Sacarlal lembra que a terceira fase de testes da vacina começou em agosto do ano passado e ainda está reunindo crianças para participar dos estudos. “Serão pelos menos mais três anos. Mas esta á a primeira, a mais avançada que existe no mundo e penso que nos próximos cinco a dez anos será a única disponível no mercado internacional”, diz o médico.

A pesquisa para criar a vacina antimalária envolve outros 11 centros de estudos da África, em Burkina Faso, no Quênia, em Malawi, Gana, no Gabão e na Tanzânia. O mais próximo de chegar ao resultado prático, no entanto, é o de Moçambique, segundo o diretor do Cism Eusébio Macete. “Esperamos que até meados do próximo ano haja dados suficientes para submetermos a vacina à análise inicial das agências internacionais de medicamentos”, afirma.

Apesar de sua escala planetária, até hoje a forma mais eficaz de combater a malária é evitar o mosquito do gênero Anofilis, que transmite o parasita Plasmodium, que causa a doença. Evitar o acúmulo de água, pulverizar áreas externas e residências e usar mosqueteiros impregnados com inseticida são algumas das formas mais comuns.

“A malária tem cura quando tratada adequada e rapidamente”, diz Caterine Guinovart, médica epidemiologista do Cism. “O problema é que muitos, quando chegam ao hospital, já é tarde”. Alguns pacientes só procuram o médico em estado debilitado, porque menosprezam os primeiros sintomas Outros têm dificuldades de chegar aos centros de saúde, principalmente nas áreas mais isoladas do interior da África.

11:49
14/05/2010
Encontro na Nigéria definiu formas conjuntas de combater malária na África

Eduardo Castro
Correspondente da EBC para a África

Maputo (Moçambique) – Há dez anos, as nações africanas reuniram-se em Abuja, na Nigéria, para discutir formas conjuntas de combater a malária, a doença que mais mata no mundo. Do encontro surgiu a Carta de Abuja, com metas e objetivos comuns. Alguns esforços tiveram resultado, como a redução de impostos em vários países (mas nem todos) sobre redes mosquiteiras e a destinação de mais verba para o combate à doença, com a criação de um Fundo Global.

O combate à malária trouxe a melhora do quadro em Moçambique nesses dez anos, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido, explica o diretor adjunto de Saúde Pública do Ministério da Saúde moçambicano (Misau), Leonardo Chavane. “Sessenta por cento do nosso orçamento de saúde ainda dependem de financiamento externo”, afirma.

A malária ainda é o maior motivo de procura dos serviços de saúde em Moçambique, bem como a principal causa de morte, principalmente de grávidas e crianças de até 5 anos. Comparando dados do primeiro trimestre de 2009 e deste ano, o número de mortes caiu de 853 para 385 no país. Mesmo assim, o total de casos no ano passado foi de 4 milhões, com 2.400 mortes, para uma população de 22 milhões de pessoas. Em 2008, foram 5 milhões de casos e 3 mil óbitos, aproximadamente.

Segundo Chavane, a melhora é resultado do incremento na pulverização doméstica, da distribuição de redes mosquiteiras, de maior preparo das equipes de saúde e do fortalecimento da difusão de informações. Para o diretor, o resultado poderia ser melhor com mais auxílio externo.

“Na pulverização doméstica, tínhamos como meta aumentar dois distritos por província [o equivalente ao estado brasileiro] no ano passado. Não foi possível por falta de recursos. Já chegamos a cerca de 45 distritos em todo país, mas pretendíamos estar em 128”, afirma Chavane. “E onde há pulverização é clara a redução dos casos”, completa.

Para João Schwalback, um dos maiores especialistas em malária de Moçambique e da África e ex-diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane, a verdadeira solução para a malária não está somente nos hospitais ou laboratórios. “A cura verdadeira será o desenvolvimento”, diz. “Melhores habitações, mais e melhor comida, mais água encanada, mais janelas com vidros, estradas mais transitáveis. Só combinando todas essas armas nós vamos vencer a malária”.

Edição: Graça Adjuto

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s