A Copa e os vizinhos

Reportagem da Agência Brasil. Publicada assim, na sexta-feira. Abaixo, o texto :

28/05/2010
Copa do Mundo movimenta países vizinhos da África do Sul

Eduardo Castro
Correspondente da EBC para a África

Maputo – A Copa do Mundo será na África do Sul, mas o evento movimenta praticamente todos os países da África Austral. Várias iniciativas foram tomadas nos últimos meses pelos governos dos membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral por causa do Mundial de Futebol.

A SADC (sigla em inglês para Southern Africa Development Coordination Conference) inclui, além do país-sede da Copa (África do Sul), Angola, Botsuana, República Democrática do Congo, Lesoto, Madagascar, Malawi, Maurício, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue.

Nesta semana, chefes de polícia de 13 dos 14 países da SADC (Madagascar não participou) criaram uma força-tarefa para atuar durante a Copa. O foco é fortalecer a fiscalização das fronteiras e reforçar o corpo da guarda sul-africana com policiais dos demais países. As grandes preocupações são o deslocamento de bandidos, atraídos pelos turistas que devem vir para o Mundial, e o tráfico de pessoas.

No início do mês, o governo de Moçambique lançou a campanha Bassopa Moçambique (Cuidado, Moçambique em changana, a língua nativa mais falada no sul do país). O objetivo é alertar as famílias para a possibilidade de tráfico de seres humanos, especialmente de mulheres e crianças. E evitar o aliciamento delas pelas redes de prostituição e para trabalho barato ou ilegal na África do Sul.

Mas a Copa no país vizinho não traz só preocupações para esse grupo. Hoje (28) terminou o curso de capacitação para taxistas na capital moçambicana, Maputo. Eles aprenderam noções básicas de inglês e de como tratar os turista que, esperam eles, virão da África do Sul.

Maputo fica a cerca de 550 quilômetros de Joanesburgo por boa estrada. O trajeto é vencido em cerca de 6 horas, contado o trâmite para cruzar a fronteira. Três companhias aéreas fazem o trajeto Joanesburgo-Maputo, de 45 minutos, que custa cerca de R$ 500 o trecho.

O Instituto Nacional de Turismo de Moçambique apostou na Copa como chamariz. Aglutinou operadores locais e sul-africanos para conseguir preços melhores de hotéis, traslados e serviços. Os pacotes incluem a oferta de visitas a Maputo, aos parques de safári próximos (alguns a menos de 100 quilômetros) e as belíssimas praias de Vilanculo, no centro do país, e de Pemba, ao norte. Mas um novo terminal do aeroporto de Maputo, ainda em construção, não ficará pronto a tempo.

Até a estatal de energia elétrica moçambicana lucrou com a Copa na África do Sul. A Electricidade de Moçambique (EDM) vai alocar uma quota adicional de 50 megawatts ao vizinho entre 11 de junho e 11 de junho. Na última reunião da Souther African Power Pull – grupo que congrega as empresas de eletricidade da SADC – foi anunciado que todas se comprometeram a usar suas rede de produção, transporte de energia e competência técnica para apoiar a África do Sul, caso seja necessário.

Edição: Nádia Franco

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