O diabo mora nos detalhes

Aconteceu de novo. No meio da Copa, alguém vira pra mim e pergunta se quero comentar um joguinho ou outro. Agora é o pool que transmite em língua portuguesa para os países lusófonos.

Já participei desse grupo em 1998, durante a Copa da França. Entre uma obrigação ou outra na Rádio Bandeirantes, seguia para o famosíssimo prédio da TV5 e desandava a falar sobre o renhido prélio que se desenrolava, para deleite dos amantes do esporte bretão. Com requintes de historicidade, comentei Iraque e Estados Unidos e outros embates igualmente esquecíveis.

Depende de credenciamento – vamos ver se dá certo. Será legal e especial, porque agora moro num dos países que vão acompanhar a transmissão. Além de tudo, dona Sandra e Otto vão poder ver.

Estive em três copas e uma olimpíada, a princípio sempre escalado pra falar de tudo que não fosse o esporte. Mas sempre acabei entrando na dança. Pros lusófonos e pra própria Rádio Bandeirantes na França (lembro bem de Inglaterra e Argentina, com Dirceu Maravilha) e na Coréia (primeiro jogo que fiz com José Silvério, o Pai do Gol, foi Dinamarca e França), pros basqueteiros do Bandsports na Grécia, fazendo até a final masculina com Sílvio Luiz (que no fim do jogo, tirou o fone e disse que tinha sido sua última transmissão olímpica – promessa não-cumprida, ainda bem).

Todas a vezes, quando me disseram “vai lá”, gelei porque não me sentia preparado pra comentar. Não sabia o tamanho do pé dos jogadores, quantas vezes o sujeito bateu o lateral virado pra esquerda ou pra direita, ou por quantos times da segunda divisão turca tinha jogado Nãoseiquemkov – que naquele jogo, estranhamente, estaria no banco.

Também não tenho aquela proximidade com os craques, de coleguinhas (cada vez menos, diga-se) que tiram da “rapaziada” confissões inimagináveis na beira do campo com perguntas profundas como “e aí, hein?!”

No fim, acabou funcionando mesmo sem tudo isso. O diabo mora nos detalhes, é certo. Mas não nesses que uma parte da moçada anda tão interessada em mostrar que domina. Uma coisa é estatística que ajuda a entender o jogo. Outra é amontoar bobagens pra demonstrar sapiência ou intimidade.

De toda forma, vou passar o domingo lendo sobre quantas vezes foi casado o Fulanovich, quais os hábitos alimentares do Tô Ku Fomi e todo tipo de outras informações fundamentais para desvendar quem vai ganhar a Copa.

Ou pra transmitir um jogo.

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