Debates na BAND

Em 13 anos na Rede Bandeirantes, cobri vários debates. Prefeito, governador, presidente. No estúdio da rádio e do Canal 21, com as torcidas do lado de fora da emissora, no pátio de entrada, no switcher, no estúdio principal a metros dos candidados. Em Brasília fiz perguntas para Arruda, Abadia e Arlete. Em Belém, mediei o encontro para prefeitos duas vezes e para governador do Pará em um segundo turno quente.

Sonhei muito com aquela musiquinha… “Tantantantantantam….taratarantataráááá!!!”

Debate já deu primeiro lugar de IBOPE à Bandeirantes. Ou melhor, um quase-debate. Celso Pitta disputava a prefeitura paulistana com Luiza Erundina. A Bandeirantes correu e marcou último debate para o último dia que a legislação permitia. A Globo também. Celso Pitta foi à Band. Erundina foi à Globo. Nos dois estúdios virou entrevista. Pitta – que ganharia a eleição dias depois – conseguiu colocar a BAND em primeiro lugar por alguns minutos.

Foi a primeira vez que me lembro de viver isso. Foi uma grande festa na casa. Mesmo sendo segunda-feira, Alberto Luchetti, o nosso diretor na época, levou a turma para celebrar o resultado no falecido restaurante Parreirinha, lá no centrão de São Paulo, famoso por servir rã. Nós numa mesa, Inezita Barroso na outra, Jamelão mais lá atrás.

De repente o Luchetti manda: “Nossa, deve ser muito tarde. Olha lá, até o Jamelão já dormiu”. O ilustríssimo mangueirense estava com a cabeça abaixada sobre o peito, chapéu encobrindo, dormindo sentado. Luchetti tinha razão: eram umas 3 da manhã…

Mas foi em um dos debates de 98 (Covas X Maluf) em que passei por um momento muito interessante. Seu João Saad, fundador e dono do brinquedo, já estava velhinho (ele viria a falecer menos de um ano depois, em 12 de outubro de 1999, exatamente cinco dias antes do meu casamento) e passando por tratamento de câncer.

Tudo pronto pra começar o debate, aquela correria, candidatos sentando na bancada… uma mão toca em meu ombro delicadamente. “Filho, será que você me faria uma gentileza? Entreviste este médico aqui, o doutro Fulano, que é lá do Sírio-Libanês.” Era Seu João, gentil – como sempre foi comigo – pedindo para colocar no ar o médico dele.

Fiquei gelado, sorri amarelo, pensei um segundo e, temendo pelo emprego, mandei lá ver: “Seu João, o senhor não acha melhor deixar pra mais adiante? Já vai começar e o tempo vai ser muito curto…” falei, diminuindo a voz, com medo da reação dele.

Seu João me olhou bem, fez um “sim” com a cabeça e disse “tem razão. Mas não deixe de falar com ele”.

Uffff!!!! Mal terminei meu suspiro, veio a musiquinha… “Tantantantantantam….taratarantataráááá!!!”

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4 comentários em “Debates na BAND

  1. E este ano você está tão longe dessa correria hein?
    Ainda bem que a rede mundial encurta as distâncias, não é mesmo? Embora a emoção seja outra, com cereteza! Adorei os vagões de memórias do seu vídeo-tape! Principalmente o episódio com o seu João Saad… Você transferiu para a matéria de forma emocionante! Parabéns.
    E o grande Maestro João Carlos Martins inovando o seu “Tantantantantantam….taratarantataráááá!!!”

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  2. CORRIGINDO

    Boa Eduardo, recordar é viver, mas se tem um sujeito que NÃO dá para acreditar é esse Fernando Mitre, ô sujeito dissimulado sô!!!

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  3. Boa Eduardo, recordar é viver, mas se tem um sujeito que dá para acreditar é esse Fernando Mitre, ô sujeito dissimulado sô!!!

    Abracetas
    Adir Tavares

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