A caminho de Ruanda

Teclo do aeroporto de Nairóbi, no Quênia, à espera do avião que me levará a Kigali, capital de Ruanda. Passarei uma semana lá, para cobrir as eleições na segunda-feira e fazer um Caminhos da Reportagem depois.

Já estive duas vezes nos Estados Unidos cobrindo eleição presidencial. No Brasil foram muitas também. Mas aqui na África, será a primeira de algumas. Não sei como será a internet lá; se for mais ou menos, claro que a prioridade será dada a mandar matérias para Agência Brasil, TV Brasil e Rádio Nacional.

Mas se der, posto coisas aqui também.

Abaixo, a primeira reportagem que a Agência Brasil publicou sobre o assunto.

Ruanda elege novo presidente na segunda-feira

06/08/2010

Eduardo Castro
Correspondente da EBC para a África

Maputo (Moçambique) – Ruanda vai às urnas na segunda-feria (9) para escolher seu presidente pela segunda vez desde o massacre étnico que marcou o país em 1994. Paul Kagame, que voltou do exílio para dirigir o país depois do genocídio que matou 800 mil integrantes das etnias Tutsi e Hutu moderados, concorre à reeleição pela segunda vez.

Os 10 milhões de ruandenses viram os seus ganhos médios triplicarem desde que ele chegou ao poder. A saúde se tornou universal. Para o Banco Mundial, Ruanda é hoje um dos cinco melhores destinos de investimento na África – a expectativa é de que ao menos se repitam os 6% de crescimento anual da economia. Doadores internacionais elogiam o combate à corrupção – a mais baixa do Leste Africano, de acordo com a organização Transparência Internacional.

Entretanto, grupos de defesa dos direitos humanos como a Anistia Internacional e o Human Rights Watch dizem que a obsessão pela ordem fez de Ruanda um estado autoritário. Dois jornais deixaram de circular em abril por ordem do governo. Pré-candidatos da oposição foram presos sob acusação de pregarem a ideologia do genocídio. Integrantes da oposição apareceram mortos. E o número de pessoas pedindo asilo nos países vizinhos cresceu no início deste ano, alegadamente para fugir de perseguições políticas e por medo de serem alvo de ataques na eleição.

Falando à imprensa internacional, a ministra de assuntos externos Louise Mushikiwabo disse que “há um nível de excitação e até tom de campanha contra” somente porque se trata de Ruanda. “É triste porque pinta um quadro do país que é realmente tendencioso”.

Um em cada três ruandenses sofre de estresse pós-traumático por causa do massacre de 1994. Desde a independência, em 1962, não houve uma única eleição em que não houvesse episódios de violência entre tutsis e hutus.

Durante um comício na zona rural na semana passada, Kagame e seu partido RPF reuniram cerca de 200 mil pessoas, segundo a polícia. Já o oposicionista Partido Liberal não conseguiu juntar mais de mil pessoas em uma de suas últimas manifestações

Na primeira vez que concorreu à reeleição, em 2003, Kagame recebeu mais de 90% dos votos. As pesquisas mostram que o resultado por se repetir na segunda-feira.

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2 comentários em “A caminho de Ruanda

  1. Eduardo,
    Para quem não conheçe a situação do Ruanda, aconselho MUITO um fabuloso documentário canadense chamado “Shaking hands with the devil”, sobre a vivência do General Romeo Dallaire, na altura encarregado das forças da ONU no Ruanda. No documentário ele (Dallaire) volta ao Ruanda 10 anos após o genocídio. É assustadore de verdadeiro…

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  2. Essa sua vida de repórter me fez lembrar a música de Luiz Gonzaga: Vida de viajante! Só que o país é outro rsss. Boa viagem e vamos aguardar as novidades. Tomara que tudo transcorre de forma pacífica. Abs

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