É… isso ainda existe. E não só na África

Algo que acabou no Brasil em 1989 ainda mata gente por aqui e em outras partes. A vacina tá aí, funciona, é simples. Mas…

No último evento da visita do Lula aqui, a cerimônia na futura fábrica de antirretrovirais, o ministro da saúde contou algo no discurso que eu não imaginava: metade dos remédios produzidos no mundo é consumida num único país, os Estados Unidos.

Mesmo assim, por causa dos custos, muitos velhinhos fazem mensalmente uma viagem ao Canadá pra comprar remédio mais barato, graças a um programa do governo canadense. Vi isso lá quando vivia em Washington e está num documentário do Michael Moore sobre a falta que faz um sistema público de saúde no país.

Nós temos um – o SUS. Não é o melhor serviço do mundo, tem muitas falhas, muitas filas. Mas temos. Graças a ele, no Brasil não tem pólio. Muita gente (ricos, inclusive) fazem transplante. Você pode não acreditar, mas o SUS brasileiro é referência internacional pra muita coisa.

Como disse o Temporão (clique aqui pra ler na Agência Brasil) a saúde é cara e precisa de muito mais dinheiro.

Completo eu: graças a essa moçada que acha normal tratar doente como consumidor e remédio como mercadoria.

12/11/2010
OMS promove primeira etapa de vacinação contra poliomielite na África

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo – Cinco milhões de doses de vacina contra a poliomielite chegam hoje (12) à África para a primeira parte de uma campanha de imunização da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Uma campanha de vacinação realizada ao mesmo tempo em 15 países do continente foi lançada no fim do mês passado. O objetivo é imunizar 72 milhões de crianças entre zero e cinco anos de idade. Até o começo de novembro, a doença fez 767 vítimas em 19 países este ano.

O lote inicial de vacinas, procedente da Dinamarca, será distribuído na cidade portuária de Pointe-Noire, no distrito de Kouilou, na República do Congo, e em 16 distritos na província vizinha da República Democrática do Congo. Mais vacinas devem chegar até dezembro, destinadas ao Congo, à República Democrática do Congo e ao Norte de Angola.

Em entrevista à Rádio ONU, o diretor regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para a África Ocidental e Central, Gianfranco Rotigliano, afirmou que a intenção é “vacinar todas as pessoas de forma a impedir a ocorrência de mais casos e mortes o mais rapidamente possível”.

Na República do Congo, 58 mortes foram registradas até outubro, além de 120 casos de paralisia flácida, de acordo com a Iniciativa Mundial para a Erradicação da Pólio. A doença não era registrada no país desde o fim do século passado. A maioria dos casos afetou jovens entre 15 e 25 anos.O governo congolês lançou um plano de resposta de emergência, com apoio internacional.

A iniciativa é uma parceria público-privada da OMS, do Rotary International, do Centro Americano para o Controle das Doenças (CDC) e do Unicef.

A OMS recomendou aos viajantes provenientes e com destino ao Congo e à República Democrática do Congo que reforcem a dose da vacina. O alerta também abrange a província do Zaire, em Angola. O país conseguiu erradicar a pólio entre os anos de 2000 e 2005, mas os casos voltaram a aparecer. A Fundação Bill e Melinda Gates estima que serão necessários US$ 60 milhões (pouco mais que R$ 100 milhões) nos próximos três anos para voltar a eliminar a doença no território.

O reaparecimento da doença não se deu apenas na África. Casos foram registrados este ano no Tajiquistão, Turcomenistão, Cazaquistão e na Rússia. A Europa não tinha novas ocorrências de poliomielite desde 2002.

No Brasil, não há novos casos de poliomielite desde 1989.

A pólio é mais comum em crianças, mas também pode aparecer em pessoas de outras idades. A transmissão se dá por via oral, principalmente em água ou alimentos contaminados por fezes. O vírus infecta o sistema nervoso, se multiplica e pode causar a destruição dos neurônios motores (paralisia flácida), a meningite ou levar à morte.

Não há tratamento. A única medida eficaz é a imunização, feita por dois tipos de vacina – Salk (injeção em uso desde 1995) e Sabin (licenciada em 1962, administrada em gotas).

Edição: Graça Adjuto

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2 comentários em “É… isso ainda existe. E não só na África

  1. Taí, mais coisas para nos dar orgulho!
    Também não sabia disso: metade dos remédios produzidos no mundo é consumida num único país, os Estados Unidos…. que loucura hein? Abs

    Curtir

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