Guiné, finalmente, elege seu presidente

É a primeira vez que o país escolhe seu líder.
Reportagem da Agência Brasil

16/11/2010
Guiné: comissão confirma vitória do candidato da oposição nas eleições presidenciais

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo (Moçambique) – A Comissão Eleitoral da República da Guiné confirmou a vitória do candidato oposicionista Alpha Conde no segundo turno das eleições presidenciais. De acordo com a BBC, ele obteve 1,47 milhão de votos, contra 1,3 milhão do ex-primeiro ministro Cellou Diallo. A votação ocorreu no dia 7 deste mês.

A Suprema Corte do país precisa ratificar os resultados para que eles sejam considerados válidos e oficializados. No domingo (14), Diallo, que venceu o primeiro turno, realizado em junho, declarou que suspeitava de fraude na apuração. Mas ele próprio pediu a seus correligionários que mantivessem a calma.

Porém, antes da confirmação dos resultados, apoiadores de Diallo entraram em confronto com a polícia, fechando ruas e ateando fogo em pneus na capital Conacri. Pelo menos uma pessoa morreu, segundo o relato da Rádio França Internacional.

A Comunidade Econômica dos Países do Oeste Africano conclamou os dois lados a terem cautela e utilizarem os caminhos legais caso tivessem dúvidas com relação ao segundo turno, que chegou a ser adiado por causa da violência entre os apoiadores dos concorrentes.

Antes da segunda votação, os dois candidatos anunciaram que, se eleitos, incluiriam integrantes da etnia adversária na composição do governo. Diallo é peul; o eleito Conde é malinke. Os dois grupos são os maiores do país.

A Guiné – também chamada de Guiné Conacri, nome de sua capital – é um país da África Ocidental com 10 milhões de habitantes, vizinho à Guiné-Bissau (esta última integrante da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP). Tem um terço das reservas de bauxita do planeta, além grandes depósitos de diamante, ouro, urânio e minério de ferro. Mesmo assim, mais da metade da sua população vivem em estado de pobreza extrema, com menos de um dólar por dia.

Desde a independência da França, em 1958, a Guiné é controlada por militares. Como várias nações africanas, viveu uma experiência socialista logo que se tornou independente, quando foi comandado por 26 anos por Ahmed Sekou Touré.

No ano 2000, o país passou a receber milhares de refugiados das vizinhas Libéria e Serra Leoa, o que agravou ainda mais a pobreza da população. A instabilidade nas fronteiras levou a uma forte tensão racial e étnica.

Em dezembro de 2008, um junta militar tomou o poder horas depois da morte do presidente Lansana Conte, que estava no comando havia 24 anos. Há aproximadamente um ano, cerca de 150 pessoas foram mortas na repressão a uma manifestação política não autorizada contra o grupo que estava no poder. Em janeiro, o general Sekouba Konate passou a governar o país, prometendo entregá-lo ao vencedor das eleições.

Edição: Juliana Andrade

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2 comentários em “Guiné, finalmente, elege seu presidente

  1. O mundo se sustentou nas últimas décadas nos crescimentos de blocos de países em cada ciclo. Primeiro foram os tigres asiáticos, depois os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e daqui alguns pares de anos será o início da África.

    Qual é o modelo que pode fazer um desenvolvimento mais igualitário socialmente na África?

    Temos um jornalista sério para fazer este relato lá. E uma Santa que o acompanha (e o atura).

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  2. Se fosse nosso sistema eleitoral provavelmente no mesmo dia 7 eles teriam conhecido seu novo presidente! Eleições / disputas raciais e étnicas / riquezas naturais / pobreza extrema: nitroglicerina pura! Tomara a transmissão do governo ocorra em paz…

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