De folga até o ano que vem

Notei que a procura pelo blog caiu nos últimos dias. E a verdade é que nem eu mais aguento… informação demais cansa.

Tirei a última semana do ano. Não viajo, mas desligo um pouco. Não devo postar mais nada até segunda – pelo menos.

Nos vemos por aqui, pois, já com 2011 em pleno andamento.

Ou a qualquer momento, em edição extraordinariamente extraordinária…

Precisa-se de vedador para elefantes

Cansado da rotina? Procurando um trabalho mais emocionante?

Que tal um que proporcione 15 dias por mês no campo, longe de carros, barulho, poluição?

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Natal na África. E a mala chegou! Glória a Deus!

A reportagem aí debaixo nasceu da incompetência da TAP – Transportes Aéreos de Portugal.

Foi assim: voltei de Cabo Verde no sábado passado, mas minha mala não saiu de Lisboa. Acabou vindo só no próximo vôo, que chegou aqui terça de manhã.

Enquanto aguardava pela mala no saguão do aeroporto de Maputo, vi uma correria de gente, câmeras, faixas, seguranças – era a chegada do Apóstolo Valdemiro Santiago.

Há algum tempo que vinha pensando em como retratar o visível avanço das denominações evangélicas aqui e em outras partes da África. Já tinha claro na cabeça, também, quem poderia comentar o assunto, e até parte da pesquisa feita. Faltava um fato que amarrasse bem o tema.

Glória a Deus! Veio o Apóstolo!

Glória a TAP! Finalmente veio a mala!

Molhada, aberta e rasgada. Mas veio.

Bem você tenha um feliz Natal.

24/12/2010
Igrejas evangélicas brasileiras crescem em Moçambique

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo (Moçambique) – De bata africana prateada com detalhes em azul, Santiago sai do carro e sobe no palco em meio a seguranças vestidos de preto, gritos e acenos. Quando ele aparece, a multidão – formada em sua maioria por jovens – abre faixas com seu nome, agita bandeiras e manda beijos. Ele agradece e sorri de volta. Luzes e música completam o cenário.

Não se trata de ídolo sertanejo, astro de novela ou vencedor de reality show. Valdemiro Santiago é o líder da Igreja Mundial do Poder de Deus. Como faz anualmente, ele veio a Moçambique para um culto de Natal e para se reunir com bispos, pastores, obreiros e seguidores da igreja, fundada em 1998 em Sorocaba (SP), depois que ele decidiu deixar a Igreja Universal do Reino de Deus, da qual foi pastor e bispo por quase 20 anos.

“Somos filhos da África e eu já morei aqui”, diz Santiago à reportagem da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), carregando uma grande Bíblia na mão direita e acompanhado da mulher. “Tenho impressão de que, quando nos juntamos, é como se as nossas raízes começassem a se manifestar. Estou muito feliz de estar aqui. Glória a Deus! Obrigado Jesus”, diz, lembrando que também irá passar pela África do Sul e por Angola.

Minutos depois, o mineiro de Palma, de 47 anos, começa o culto: “Deus vai fazer milagres hoje aqui. Você vai ver gente curada agora. Paralítico vai andar, as dores vão sumir”. Gritos são ouvidos pela plateia, que ocupa boa parte do gramado da Praça da Paz, em Maputo. Pastores acodem quem passa mal e muletas são erguidas no ar. Exatamente como na TV, nos cultos transmitidos diariamente em uma emissora moçambicana (KTV) e várias brasileiras.

A Igreja Mundial é só uma das várias denominações evangélicas brasileiras que cresceram muito na África nos últimos anos. Pelas ruas de Maputo – e de outras cidades africanas, como Joanesburgo (África do Sul), Luanda (Angola) e Praia (Cabo Verde) – é possível ver várias construções com o coração vermelho e a pomba branca que identificam a Igreja Universal do Reino de Deus (ou Universal Church of the Kingdom of God, nos países de língua inglesa). Placas nas calçadas mostram onde se reúnem os seguidores da “Deus É Amor” em Maputo, “fundada em 1962 pelo missionário David Miranda”, como indica o letreiro.

O cristianismo chegou à África com os colonizadores europeus. Em Moçambique, a religião foi trazida pelos portugueses católicos. De acordo com o 3º Censo da População (2010), 5,7 milhões dos 20,2 milhões de moçambicanos são cristãos. Cerca de 3,1 milhões são protestantes de igrejas tradicionais e 2,9 milhões são evangélicos pentecostais. O islamismo chegou antes à região, principalmente, na parte Norte do país e, atualmente, cerca de 3,6 milhões de pessoas se declaram muçulmanas. Se declaram seguidores de crenças africanas, 3,7 milhões de moçambicanos. Mas, como no Brasil, vários adeptos de uma religião não deixam de ir ao curandeiro ou de pedir proteção aos espíritos.

Durante os anos de governo socialista, o Natal foi oficialmente substituído no calendário moçambicano pelo Dia da Família. Mas, hoje em dia, árvores coloridas e bonecos de Papai Noel (chamados de Pai Natal, à moda portuguesa) vestidos para o frio voltaram a ocupar as vitrines das lojas, em meio aos 40 graus Celsius comuns nesta época do ano.

O Jesus Cristo das igrejas evangélicas chamadas neopentecostais é o mesmo; a Bíblia também. Mas cada pastor tem seu rebanho. Algumas igrejas pedem abertamente a contribuição do dízimo, obrigação de que nem mesmo os habitantes dos países mais pobres do mundo parecem estar isentos. Outras fazem questão de indicar que o foco é outro. “Aqui não se vende milagre”, diz o apóstolo Santiago, durante pregação na última terça-feira (22) em Maputo. “E quem faz milagre é Deus, não é punhado de sal grosso”.

Mesmo tentando marcar diferenças, em pelo menos um aspecto as denominações evangélicas vindas do Brasil parecem estar de acordo: o combate ao que chamam de “feitiçaria, magia negra, coisas do demônio”, que acabam associadas às práticas de curandeiros e médicos tradicionais, tão comuns em toda África.

“Não há choque de culturas”, assegura o bispo da Mundial em Maputo, Leonardo Germano, nascido no Rio de Janeiro. “Para nós, estar aqui é uma grande alegria. Não queremos comparar ou dizer qual é melhor. Só queremos levar a palavra de Deus aos que sofrem”, diz, também de bata africana, branca com elefantes azuis desenhados no tecido.

Para Fernando Mathe, porta-voz da Associação Moçambicana de Médicos Tradicionais (Ametramo), o relacionamento podia ser melhor. “Os médicos tradicionais ficam até revoltados”, afirma. “Eles não gostam de ver suas práticas, cultura de tanto tempo, serem chamadas de lixo”. Ele acredita que é possível melhorar essa situação com mais de diálogo. “Eu quero propor a eles uma grande reunião, uma conversa. Eles [as igrejas evangélicas] fazem bem ao povo, todos veem isso”, afirma, citando o trabalho social que as igrejas realizam no país. “Mas é preciso melhorar essa parte [relacionamento] conosco”.

Fernando conhece bem as diferenças entre evangélicos e médicos tradicionais: o pai dele é pastor há 40 anos. Romão Mathe passou a seguir a Igreja Cristã Zion – surgida nos anos 20 na África do Sul – depois de, segundo ele próprio, ter sido curado de uma inflamação na barriga. Como o filho, o pai de Romão também era médico tradicional. E, segundo Romão, nunca houve problemas na convivência.“Um salva com a imposição da mão; outro salva com o espírito. Mas é a mesma coisa – todos querem fazer o bem”, afirma.

“A igreja cristã tem um ‘deus ciumento’, mas, até agora, esse cruzamento de culturas tem sido positivo”, acredita Silvério Ronguane, chefe do Departamento de Ciências Aplicadas do Instituto Superior de Relações Internacionais de Moçambique. “É preciso manter um entendimento.”

Ele acredita que as “igrejas brasileiras” ajudam a reorganizar a vida social de muita gente que saiu do interior do país sem a família (vários empurrados pela Guerra Civil, que acabou em 1994) e perdeu suas referências. “A cultura africana funciona com base na família, clã, tribo. Os expatriados, ao vir de sua aldeia para cidade, já não têm esse conforto. Então acabam por ser as religiões de espírito pentecostal que fazem o papel que a tradição fazia, de cobertura comunitária.”

Estudioso das crenças tradicionais, Ronguane diz que os próprios curandeiros estão sendo influenciados pelas igrejas evangélicas. “Antes não se via anúncio de médico tradicional nas ruas; agora, eles existem”, afirma. “Estão bebendo do marketing agressivo [das igrejas].”

Essa “agressividade” já se reflete até no português falado na África. “Erres” e “esses” puxados, expressões no gerúndio e voz gutural são comuns nas pregações na televisão e no rádio. É preciso prestar atenção para notar se o pastor é brasileiro ou moçambicano. “Não há dúvida que as novelas e a música brasileiras [muito difundidas no país] contribuem, mas já há uma influência linguística indiscutível também por meio da religião”, diz o especialista.

Edição: Lílian Beraldo

Embarque imediato: carroceira 4. Boa viagem


Imagine uma daquelas velhas Kombis que, ao invés de passageiro, levava carga ao ar livre, sem cobertura na carroceria. Imaginou?

Pois na carroceria, onde ficava a carga ao ar livre, cercado por umas ripinhas coloridas, coloque cadeiras de plástico – daquelas de boteco, com nome de cerveja e tudo. Colocou?

Agora encha a carroceria de gente: homem, mulher, criança, velho, mais velho, mais criança, mais velho, mais criança, mais criança, pastor evangélico pregando, caixa disso, caixa daquilo, galinha viva, sacola de compras. Encheu?

Agora dobre a quantidade de gente, sacola, caixa, pastor, galinha, e jogue um bode por cima de tudo. Jogou?

Ponha na pista e faça parar em cada ponto. Pronto e acabado, é o retrato de alguns carros de transporte que vi nos últimos dias.

Os chapas (as vans – tecnicamente chamados de “semicoletivos”), que já não são uma maravilha, somem das ruas para fazer transporte de passageiros interurbano durantes as festas. Esse tipo de carro faz as vezes.

Ou é isso, ou é a pé. Ônibus (os “machimbombos”) são poucos.

Vou lembrar dessa turma da próxima vez que der vontade de reclamar por ter de esperar no aeroporto.

O Poder de Deus está entre nós. E o Apóstolo Santiago também

O Cristo é o mesmo. O jeitinho é parecido. Mas cada rebanho tem suas ovelhas. E – claro – seus pastores. São poderes, graças, reinos, mundos e universos distintos. Apesar do caminho ser só um.

A Igreja Mundial do Poder de Deus é liderada pelo Apóstolo Valdemiro Santiago. A Igreja Internacional da Graça de Deus é de RR Soares. A Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo – origem das duas demais.

Pois o Apóstolo Valdemiro Santiago chegou ontem a Maputo, com a esposa e outros integrantes da Igreja. Foi recebido com flores e cerca de 60 pessoas no aeroporto. Dez eram seguranças, vestidos de preto. Outros tantos estavam de amarelo, com uma camiseta escrita “apoio”.

E, mesmo com tanto apoio, foi uma zona no terminal. Não fosse este o visitante, chamaria de confusão dos diabos.

Hoje, o Apóstolo reuniu fiéis na Praça da Paz. Alguns milhares, presumo. Ninguém fez a conta, mas o lugar era grande.

Quando chegamos, com câmera e tal, houve certo rebuliço entre obreiros. Os mesmos sujeitos de preto de ontem no aeroporto vieram ver quem e qual era. Aqui tem TV Record aberta, e muita gente acha que TV Brasil é só um nome diferente para ela. Até explicar demorou um pouco.

Percebi certa tensão além do normal. Logo alguém me contou que, uma semana atrás, a KTV – que retransmite a TV Mundial aqui em sinal aberto – saiu misteriosamente do ar por três dias. “Sabotagem”, disse o obreiro, deixando mistério no ar, antes ocupado pelo sinal da KTV.

“Não, prezado”, expliquei. “A TV Brasil já pega quase no mundo todo. Mas ainda não é universal”.

Mas só a chegada dos pastores brasileiros desfez todo e qualquer mal entendido sobre nossa TV. A maioria, nascida no Rio, conhecia a sucessora da TVE. Logo estávamos em cima do palco, esperando pelo Apóstolo.

A chegada de Santiago é rápida e conturbada. O povo se aglomera na porta do carro, pra tirar foto. Os seguranças – delicadamente, claro – colocam todo mundo no seu lugar. A turma quer tocar no Apóstolo.

Vestindo uma bata africana, Santiago chega e cumprimenta a todos. Entre o nervoso e o simpático, espera pelos últimos detalhes para começar o culto. Me conta que já morou em Moçambique e vem pra cá uma vez por mês.

“Aqui o Senhor tem manifestado o seu poder”, diz ele, ajeitando o chapéu azul. E, como já tinha visto na TV por tantas madrugadas, algo se manifestou ali – enquanto muletas eram brandidas no ar e ex-coxos corriam pela grama.

“Aqui o milagre é de graça”, espetava o homem do Poder de Deus – não da Igreja da Graça; mas ex-Universal do Reino. “Aqui quem faz milagre é Deus; não um punhado de sal grosso”.

Saímos antes do fim, porque ainda precisava ouvir um estudioso de religiões africanas e um curandeiro – pra saber o que eles achavam do Poder Mundial, da Graça Internacional e do Reino Universal terem trazido Deus pra cá com sotaque brasileiro.

Vai virar matéria nos próximos dias. Claro, se Deus quiser.

Refugiados marfinenses na Libéria já são 6 mil

21/12/2010
ONU prolonga em seis meses permanência de missão de paz na Costa do Marfim

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo (Moçambique) – O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) prolongou em seis meses o mandato da missão de paz na Costa do Marfim (Unoci). A decisão foi tomada nessa segunda-feira (20) em Nova York, por unanimidade. A entidade reforçou que a missão tem como tarefa “proteger a população civil de quaisquer abusos de direitos humanos”, informou a Rádio ONU.

No fim de semana, o presidente Laurent Gbagbo havia determinado que as forças de paz deixassem o país, sob alegação de estarem interferindo em assuntos internos ao condenar a decisão da Corte Suprema marfinense de reverter o resultado das eleições presidenciais apurado pela Comissão Eleitoral. Para a comissão, o vencedor foi Alessane Ouatarra, ex-primeiro ministro e candidato da oposição, em decisão referendada pela ONU, que participou da organização da eleição.

Durante entrevista coletiva em Abidjan, maior cidade do país, o chefe da Unoci, Young-Jin Choi, afirmou que a missão vai continuar a fazer buscas militares em todo o país para monitorar, observar e impedir atos de violência e violações dos direitos humanos. Para reforçar que a missão é imparcial , ele citou a recusa em acompanhar partidários de Ouattara durante marcha no sábado.

Apoiadores de Gbagbo alertaram as Nações Unidas que seus soldados podem passar a ser tratados como rebeldes se permanecerem na região. Para o então presidente, houve fraudes no Norte do país, que foram reconhecidas pela Corte Suprema e ignoradas pela Comissão Eleitoral.

Citado pela BBC, o ministro do Interior de Gbagbo, Emile Guirieoulou, afirmou que se a força de paz da ONU, “contra nossa vontade, quiser manter-se no país, não iremos cooperar com ela. E, se escolherem seguir alguma autoridade que não seja a legal, eles tornam-se parte da rebelião”.

Militares da ONU estão de guarda no hotel onde Alessane Ouattarra está desde o segundo turno das eleições, em 28 de novembro passado. Como Gabgbo, ele nomeou um gabinete.

Milhares de marfinenses, temendo pela volta da guerra civil, fugiram a pé para países vizinhos. De acordo com o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), eles já passam de 6 mil. A grande maioria instalou-se no Distrito de Nimba, onde está chegando mais ajuda, como cobertores, colchões, lampiões a querosene e sabão. Suprimentos extras de comida foram enviados de Copenhague (Dinamarca) para a Libéria e a Guiné.

A expectativa é que o número de expatriados chegue rapidamente a 30 mil. O governo da Libéria também já reconectou bombas de água nas vilas próximas à fronteira, bem como começou a distribuição de arroz e água potável, cujo fornecimento foi afetado por causa da grande procura logo depois das eleições no país vizinho.

Costa do Marfim à beira da guerra – de novo

De volta a Moçambique, depois de duas semanas de Cabo Verde – um dos únicos países africanos em que a oposição ganhou no voto, governou, perdeu no voto e saiu. Tudo em 20 anos.

Interessante notar que o comprovadamente democrático Cabo Verde não tem jornal diário. Nem vai ter, pois é cada vez mais conectado. E seu jornal privado mais antigo – chamado “A Semana” e (ahá!!!) semanal – está muito perto de eliminar a edição impressa. E ficar só na internet, mas com atualização diária, saltando direto.

Foi em Cabo Verde que acompanhei os passos dos concorrentes marfinenses, céleres em direção a mais uma guerra civil. Uma África olhando para outra.

Em Moçambique ainda não houve teste para a troca de poder. Mas há eleições democráticas e a imprensa enche o governo de bolacha semanalmente. Aqui ouvi o professor que cito na reportagem abaixo, preocupado com o quadro marfinense.

Se tudo der certo, volto à Praia em fevereiro, para ver a eleição caboverdiana. Com a certeza de que quem ganhar, leva.

20/12/2010
Para professor, decisão de Gbagbo é indício de que cogita manter-se no poder pelas armas

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo (Moçambique) – A decisão do presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, de ordenar a saída das forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) do país é um indício de que ele estaria cogitando manter-se no poder pelas armas, se achar preciso. A opinião é do professor do Instituto Superior de Relações Internacionais de Moçambique, Antonio Gaspar.

“É uma clara evidência de que ele quer usar de força para se impor. E isso é muito mau para ele, para a África e para o mundo inteiro, que quer resolver os assuntos com base no diálogo”.

Em 28 de novembro passado, Gbagbo e o ex-primeiro ministro Alassane Ouattarra concorreram na primeira eleição nacional em dez anos. A oposição foi declarada vencedora pela Comissão Eleitoral. Mas a Corte Suprema do país reviu os números, alegando fraude, e deu a vitória ao então presidente.

No fim de semana, Gbagbo ordenou a saída dos 10 mil soldados da ONU do país, sob acusação de interferência interna. A organização foi o primeiro órgão internacional a acusar o então presidente de subverter a vontade popular ao permanecer no poder. Outros organismos multilaterais e países seguiram a ONU e condenaram a decisão de Gabgbo.

As Nações Unidas decidiram manter as tropas e cumprir o mandato internacional de monitorar o acordo de paz que acabou com a guerra civil de 2002/2003. A ONU também denunciou que mais de 50 pessoas foram mortas no país desde quinta-feira passada (16).

Hoje (20), o Conselho de Segurança trata do tema em uma reunião em Nova YorK.

Apoiadores de Gbagbo alegam que ele foi reeleito legitimamente e que a decisão da Corte foi soberana, independente e de acordo com a Constituição do país. “O país está a mergulhar – mais uma vez – em uma situação de instabilidade. Se calhar, de retorno à guerra civil”, afirma Gaspar. “Para a África, é uma vergonha. Eu penso que é uma nódoa em todo o processo democrático no continente. Mostra que muitos líderes africanos ainda acham que podem viver só dentro do poder.”

Edição: Graça Adjuto

Cesária, Mariza…

Hoje ouvi Odair José, Daniel, Gal Costa, Leonardo, Alexandre Pires e Nelson Ned. Tudo entre o almoço e o começo do treinamento da tarde, perto das três da tarde.

Vi um pouco de Beleza Pura e Caminho das Índias, além do meu amigo Celso Zucatelli entrevistando a última estrelea eliminada dA Fazenda. Ontem, passou show do Calcinha Preta às quatro da tarde. Inteirinho.

Sigo em Cabo Verde – bom que se ressalte.

Inegável que dá uma pontinha de orgulho. Afinal, é nóis na fita, nossa gente bronzeada mostrando seu valor.

Mas, também inegavelmente, me sinto um pouco como me sentia vendo um monte de música americana – muita porcaria no meio, inclusive – nas FMs brasileiras.

Ps: falando em divas da música lusófona, hoje é aniversário da Mariza. Tá bom, amigão, vou quebrar seu galho: descubra quem ela é clicando aqui, porque a Sandra já falou dela hoje no Mosanblog.

Cabo Verde: fiat lux

Vai, volta, vai de novo.
Sinal de que incompetência – ou competência – tem no público e no privado.

14/12/2010
Cabo Verde vai reprivatizar empresa de energia elétrica

Eduardo Castro
Correspondente da ABC na África

Cidade da Praia (Cabo Verde) – Cabo Verde vai reprivatizar a Elektra, empresa de geração e distribuição de energia elétrica do país africano. A informação foi confirmada pelo primeiro-ministro, José Maria Neves. “Já há uma empresa cabo-verdiana interessada, com capitais estrangeiros europeus e africanos”, disse ele em entrevista à rádio pública RCV, sem revelar o nome do grupo interessado nem se ele já atua no setor.

No início dos anos 1990, o governo de Cabo Verde, controlado na época pelo partido Movimento pela Democracia (MpD), hoje na oposição, vendeu a companhia a um consórcio português. Como os problemas de geração e abastecimento não foram solucionados (ao contrário, se agravaram depois da privatização), a Elektra foi retomada pelo governo três anos depois.

Desde o ano passado, Cabo Verde vive repetidos episódios de falta de energia. O último apagão ocorreu na noite do domingo (12), quando a capital, Cidade da Praia, ficou no escuro por cerca de meia hora. Os apagões são alvos de críticas constantes da oposição, que acusa o governo de não ter feito os investimentos necessários no setor. “Por razões éticas, o negócio não será fechado antes das eleições”, afirmou o primeiro-ministro, que concorre à reeleição pelo partido PAICV (Partido Africano pela Independência de Cabo Verde). A votação está marcada para 6 de fevereiro do ano que vem.

Segundo José Maria Neves, há geração suficiente de energia elétrica para suprir a demanda do país. Segundo ele, “tudo era prioridade”, o que fez com que não houvesse recurso para substituir as linhas de distribuição. “Investimos 8 milhões de contos [R$ 180 milhões] na implementação da nossa política energética e na eletrificação rural. Faltam só 5% do país [para ser atendidos]”.

Cabo Verde também começou a construir quatro parques eólicos (geração pelo aproveitamento da força dos ventos) nas ilhas de Santiago (onde fica a Cidade da Praia e quase metade da população), São Vicente, Boavista e Sal, orçados em 70 milhões de euros (aproximadamente R$ 170 milhões), além de dois parques fotovoltaicos (geração por energia solar). Também estuda implementar o sistema pré-pago para racionalizar o uso da energia elétrica nos edifícios públicos.

Cabo Verde tem cerca de 500 mil habitantes espalhados por nove das dez ilhas que compõem o arquipélago, no Oceano Atlântico. É um dos países mais bem colocados no Índice de Governança da Fundação Mo Ibrahim, instituição sudanesa que elabora um ranking anual com os 53 países africanos levando em conta 88 quesitos, que vão da liberdade política ao acesso aos serviços básicos. Ilhas Maurício, Ilhas Seychelles, Botsuana, Cabo Verde e África do Sul integram o grupo dos melhores países do continente em 2010.

Edição: Vinicius Doria