Cabo Verde: fiat lux

Vai, volta, vai de novo.
Sinal de que incompetência – ou competência – tem no público e no privado.

14/12/2010
Cabo Verde vai reprivatizar empresa de energia elétrica

Eduardo Castro
Correspondente da ABC na África

Cidade da Praia (Cabo Verde) – Cabo Verde vai reprivatizar a Elektra, empresa de geração e distribuição de energia elétrica do país africano. A informação foi confirmada pelo primeiro-ministro, José Maria Neves. “Já há uma empresa cabo-verdiana interessada, com capitais estrangeiros europeus e africanos”, disse ele em entrevista à rádio pública RCV, sem revelar o nome do grupo interessado nem se ele já atua no setor.

No início dos anos 1990, o governo de Cabo Verde, controlado na época pelo partido Movimento pela Democracia (MpD), hoje na oposição, vendeu a companhia a um consórcio português. Como os problemas de geração e abastecimento não foram solucionados (ao contrário, se agravaram depois da privatização), a Elektra foi retomada pelo governo três anos depois.

Desde o ano passado, Cabo Verde vive repetidos episódios de falta de energia. O último apagão ocorreu na noite do domingo (12), quando a capital, Cidade da Praia, ficou no escuro por cerca de meia hora. Os apagões são alvos de críticas constantes da oposição, que acusa o governo de não ter feito os investimentos necessários no setor. “Por razões éticas, o negócio não será fechado antes das eleições”, afirmou o primeiro-ministro, que concorre à reeleição pelo partido PAICV (Partido Africano pela Independência de Cabo Verde). A votação está marcada para 6 de fevereiro do ano que vem.

Segundo José Maria Neves, há geração suficiente de energia elétrica para suprir a demanda do país. Segundo ele, “tudo era prioridade”, o que fez com que não houvesse recurso para substituir as linhas de distribuição. “Investimos 8 milhões de contos [R$ 180 milhões] na implementação da nossa política energética e na eletrificação rural. Faltam só 5% do país [para ser atendidos]”.

Cabo Verde também começou a construir quatro parques eólicos (geração pelo aproveitamento da força dos ventos) nas ilhas de Santiago (onde fica a Cidade da Praia e quase metade da população), São Vicente, Boavista e Sal, orçados em 70 milhões de euros (aproximadamente R$ 170 milhões), além de dois parques fotovoltaicos (geração por energia solar). Também estuda implementar o sistema pré-pago para racionalizar o uso da energia elétrica nos edifícios públicos.

Cabo Verde tem cerca de 500 mil habitantes espalhados por nove das dez ilhas que compõem o arquipélago, no Oceano Atlântico. É um dos países mais bem colocados no Índice de Governança da Fundação Mo Ibrahim, instituição sudanesa que elabora um ranking anual com os 53 países africanos levando em conta 88 quesitos, que vão da liberdade política ao acesso aos serviços básicos. Ilhas Maurício, Ilhas Seychelles, Botsuana, Cabo Verde e África do Sul integram o grupo dos melhores países do continente em 2010.

Edição: Vinicius Doria

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Um comentário em “Cabo Verde: fiat lux

  1. Desde que vi em uma outra matéria sua, achei o máximo essa história de sistema pré-pago de energia! Isso devia ser implantado urgentemente nos prédios públicos do Brasil! Abs

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