Time for change, Hozny.

31/01/2011
Permanência de Mubarak no poder divide aliados do Egito, que temem fundamentalistas islâmicos

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo (Moçambique) – Mudança é a palavra de ordem no Egito. É o pedido na boca dos manifestantes, nas ruas das principais cidades egípcias há sete dias seguidos. É o discurso da oposição que começa a se organizar. Aparece até nas declarações de antigos aliados do presidente Hosny Mubarak, há 30 anos no poder. “Mubarak já deu o que tinha que dar, tanto no nível doméstico quanto internacional. Por isso, toda essa pressão sobre ele”, afirma Antonio Gaspar, diretor do Instituto Superior de Relações Internacionais de Moçambique.

Mas, lembra o professor, mudar não quer dizer exatamente a mesma coisa para todos os atores do cenário egípcio. Nas ruas, o pedido é por renúncia ou afastamento imediato de Mubarak. Para amanhã (1º), foi convocada uma greve geral. A mobilização é para levar 1 milhão de pessoas às ruas. Nem mesmo o desabastecimento dos mercados da capital Cairo parece arrefecer os ânimos.

Hoje (31), o presidente Mubarak deu posse ao novo gabinete, depois da demissão coletiva da madrugada de sábado, logo após às grandes manifestações de sexta-feira (28). No dia, seguinte, Mubarak nomeou Omar Suleiman, chefe da inteligência, para vice-presidência do país. Ahmed Shafiq, ex-comandante da Força Aérea e outro aliado, foi indicado para o cargo de primeiro-ministro. O titular da pasta da Defesa, Mohamed Hussein Tantawi, manteve o posto e ainda ganhou o status de vice primeiro-ministro.

Mas, para os manifestantes, as alterações no primeiro escalão foram irrelevantes. Pelo quinto dia seguido, milhares de pessoas ignoraram o toque de recolher imposto pelo governo e permaneceram nas ruas para pedir a saída de Mubarak.
A oposição, que nunca teve real perspectiva de chegar ao poder nesses últiomos 30 anos, agora admite a possibilidade. Mesmo que Murabak mantenha-se no cargo, eleições presidenciais estão marcadas para setembro.

Mohamed El Baradei, ex-inspetor de armas nucleares das Nações Unidas e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, veio da Áustria disposto a ocupar o espaço – vago – de líder da resistência às forças de Mubarak. Depois de algumas horas detido na sexta-feria, El Baradei voltou às ruas no fim de semana, para participar das manifestações populares.

A Fraternidade Muçulmana, maior e mais antiga organização islâmica do país, demorou a aderir aos protestos, mas deve receber grande quantidade de votos nas eleições. Não é considerado um grupo radical, mas é ligado aos princípios muçulmanos. Não seria a perspectiva de mudança dos sonhos dos países ocidentais, lembra o professor Gaspar. “A chamada comunidade internacional quer mudanças, mas não as que possam trazer problemas ligados ao fundamentalismo na região ou que dêem espaço para que se ponham em causa os seus valores”.

Hoje (31), a União Europeia (UE) pediu diálogo aberto e pacífico entre oposição e governo, enfatizando que o Egito deve “seguir no caminho de mais democracia”. A alta representante para Assuntos Externos e Política de Segurança da União Europeia, Catherine Ashton, afirmou que as preocupações da sociedade devem ser atendidas com ações concretas e que a UE pode apoiar o processo de transição para um novo governo, desde que “conduzido pelo povo”.

Também hoje, o presidente de Israel, Shimon Peres, declarou que o país apoia a manutenção de Mubarak no poder. “Não dizemos que tudo o que faz seja correto, mas fez uma coisa pela qual estamos agradecidos: manteve a paz no Oriente Médio”, disse Peres, citado pela rádio oficial israelense. Segundo ele, “um regime fanático e religioso no Egito será pior que a ausência de democracia”.

Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, limitou-se a dizer que é necessário garantir a manutenção da paz no Egito e a estabilidade na região. Segundo o jornal diário Haaretz, Israel pediu aos Estados Unidos, à China, à Rússia e a vários países europeus que limitem as críticas a Mubarak. O Egito e a Jordânia são os únicos dos 22 países da Liga Árabe que reconhecem o Estado de Israel.

Edição: Vinicius Doria

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Sudão: primeiros resultados do referendo

Pelo que vi e ouvi nos últimos seis meses, os resultados não surpreeendem.

A surpresa é o processo ter mesmo acontecido.

E, aos poucos, protestos também começam a aparecer por lá, na esteira da Tunísia-Egito.

A conferir.

Reportagem da Agência Brasil.

30/01/2011
Resultados oficiais confirmam que mais de 99% querem separação do Sudão

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo (Moçambique) – Os primeiros resultados oficiais da consulta popular realizada no Sudão mostram que 99,57% dos eleitores votaram pela independência da parte sul. A escolha ocorreu entre os dias 9 e 15 de janeiro. Os números finais serão oficializados a partir de 6 de fevereiro. No total, 3,8 milhões de eleitores compareceram às seções eleitorais.

O Sudão do Sul (nome não oficial) deverá ser o 54º país africano a ser reconhecido pela comunidade internacional. A data marcada para a independência é 9 de julho. O país já tem até hino nacional e bandeira escolhida.

O anúncio dos primeiro resultados aconteceu em Juba, capital do futuro país, no túmulo de
John Garang, que liderou o Sul durante a guerra civil. Ele morreu em um acidente de avião logo depois da assinatura do acordo de paz, em 2005.

O Sul do Sudão vive de forma mais autônoma da capital Cartum desde o fim da guerra civil, em 2005. O conflito, que durou 23 anos, deixou mais de 1,5 milhão de mortos. A região, do tamanho do estado de Minas Gerais, é uma das mais pobres do mundo.

Como parte do acordo de paz, assinado entre o Norte (majoritariamente muçulmano) e o Sul (cristão ou seguidor de religiões locais), ficou acertado que uma consulta popular iria definir o futuro da parte sul. Somente sulistas puderam votar.

A solução desagradou boa parte dos líderes africanos, que temem que o exemplo tente ser seguido em outras áreas onde há conflitos étnicos, religiosos ou dificuldades econômicas. A medida quebra um princípio definido em 1963, quando da Organização dos Estados Africanos, que dizia que as fronteiras deixadas pelos colonizadores europeus iriam permanecer, por mais artificiais que fossem.

Em 1993, a Eritreia separou-se da Etiópia. Mas o país já existia antes, tendo sido anexado ao território etíope em 1962, logo depois da independência da Itália.

Além das divisões étnicas e religiosas, a riqueza do solo do Sul também é motivo de tensão. Boa parte das reservas de petróleo do Sudão estão lá. Mas as estrutura de refino e distribuição, bem como a saída para o mar, estão no Norte.

As fronteiras exatas do novo país ainda não foram definidas, bem como as regras de relacionamento e distribuição de bens com o Norte. A região de Abyei, rica em petróleo, exatamente na fronteira, é desejada pelos dois lados.

Nos últimos meses, o presidente Omar Al Bashir afirmou várias vezes que iria aceitar os resultados, mesmo que fossem pela separação, algo visto com ceticismo pelos analistas internacionais. O atraso no alistamento dos eleitores, finalizado apenas em dezembro, fez com que fossem grandes as dúvidas sobre a realização da consulta na data prevista – o que acabou ocorrendo.

Al Jazeera no ar no Egito. Sabe-se lá por mais quanto

Agora, 11 e meia de segunda, parece que as operações seguem por lá.

Clicando aqui, uma interessante reportagem sobre como é difícil sintonizar a Al Jazerra nos Estados Unidos.

Exatamente como no Brasil. Será que não vale matéria também?

30/01/2011
Egito impede rede de televisão Al Jazeera de transmitir manifestações contra o governo

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo (Moçambique) – A rede de televisão Al Jazeera, com sede no Catar, foi impedida pelo governo egípcio de continuar suas transmissões jornalísticas do Egito. A informação é confirmada pela própria emissora.

O ministério da Informação ordenou a suspensão das operações e do credenciamento dos funcionários a partir de hoje. Duas horas depois da confirmação da informação, o serviço em inglês continuava gerando imagens a partir do Cairo.

Pela rede social Twitter, o repórter Dan Nolan mandou uma recado aos espectadores: “Não se preocupem, continuaremos a reportar sobre o que acontece no Egito, não importando quais restrições eles nos imponham”.

Neste domingo, repórteres da emissora descreveram trocas de tiros na praça Tahrir, no centro do Cairo, em meio a milhares de manifestantes. Também segundo a Al Jazeera, 34 integrantes do grupo oposicionista Fraternidade Muçulmana foram libertados.

Os repórteres falam por telefone, sem terem os nomes divulgados “por razões de segurança”, segundo a apresentadora, que está na sede da empresa, em Doha.

É o sexto dia seguido de maciças manifestações contra o governo de Hosny Mubarak. De acordo com operadoras de telefonia celular, o serviço começa a se normalizar, depois das interrupções dos últimos dias.

ElefanteNews – daily edition

“Cobrir a África” é impossível. São 53 países (serão 54 em julho), fora os não reconhecidos. Centenas de grupos, milhares de línguas, milhões de pessoas, bilhões de interesses.

Mas, por estar aqui para “cobrir a África”, faço o melhor que consigo para, ao menos, dar uma idéia da grandeza desse continente para quem me acompanha.

Mas nunca fiquei satisfeito com o resultado.

Esse troço aqui é mais uma tentativa. Vamos ver se aplaca minha sensação de incompetência. Ou acentua de vez.

Mais um serviço das Organizações ElefanteNews, trombando com as notícias, sempre contra a manada.

O treco promete espalhar via Facebook, Twitter e tal. Mas aí ao lado, ficará um link para que, quem quiser, dê uma olhada.

A seleção das notícias é automática. Logo, a culpa não é minha….

Sábado no Egito, no Repórter Brasil

Clique aqui para ver a reportagem, exibida na TV Brasil.

E aqui você lê a versão para a Agência Brasil.

Sábado no Egito: mais gente na rua

Até agora, o roteiro é igualzinho ao da Tunísia.
Vamos acompanhar os próximos passos.

PS: Na Al Jazeera, agora, imagens de vandalismo dentro do Museu Nacional do Cairo. Queria saber o que as múmias têm a ver com o que se passa lá fora. Burrice é interplanetária mesmo.

29/01/2011
Aumenta número de manifestantes nas ruas do Egito depois de medidas do governo

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo (Moçambique) – A exemplo do que aconteceu na Tunísia, as primeiras medidas tomadas pelo governo egípcio para conter a série de manifestações acabou por levar mais gente às ruas para protestar. Hoje (29), o número de participantes das passeatas era ainda maior, tanto no Cairo quanto em outras cidades.

Já na madrugada, o presidente Hozny Mubarak anunciou a demissão do gabinete e a manutenção das medidas de segurança. O primeiro-ministro, Ahmed Nazif, e demais integrantes do alto escalão do governo renunciaram neste sábado. Além disso, Mubarak empossou Omar Suleiman, chefe da inteligência e aliado, como vice-presidente. A posição nunca havia sido preenchida desde a posse de Mubarak, em 1981. Outra alteração foi retirar a polícia das ruas e colocar as Forças Armadas no lugar.

Logo de manhã, os manifestantes começaram a se reunir aos milhares. Mas, ao contrário da véspera, quando houve grandes confrontos com a polícia – e um número de mortos que pode ultrapassar os 100 – tem prevalecido a calma. Funerais de vítimas dos protestos de ontem (28) foram realizados durante as manifestações de hoje.

“Não houve confronto hoje. A demonstração é pacífica. Tem tanta gente na rua que os blindados estão cercados pela multidão, sem fazer nada”, diz o embaixador brasileiro no Cairo, Cesário Melantônio. “O governo adiantou o toque de recolher para as 16h hoje, mas a população, mais uma vez, não vai cumprir”, afirmou.

De acordo com o embaixador, é difícil prever o que vai acontecer. “Até agora, um impasse total entre o que a população o governo querem. Os manifestantes querem a saída do presidente. Ele pretende continuar.” Mas a comparação com a Tunísia, lembra ele, é automática. “É inegável o efeito do que aconteceu na Tunísia. Fez com que a população perdessem o medo de sair e pedir uma mudança de regime.”

Entretanto, Cesário Melantônio acrescenta que, diferentemente do que ocorre na Tunísia, no Egito praticamente não tem oposição, o que dificulta a negociação com o governo. E, ao mesmo tempo, deixa temerosos os atores internacionais, pois o país tem um peso geoestratégico muito maior que o tunisino.

“A reação de países da União Europeia e dos Estados Unidos vai ter um grande peso sobre o Egito”, acredita o representante brasileiro, lembrando que Hozny Mubarak é um grande aliado dos norte-americanos. “Se, por acaso, houver eleições livre e limpas, [o surgimento de] um governo novo, de política externa independente, distanciada de Israel, pode ter grande efeito na política geral do Oriente Médio.”

Dos 22 países da Liga Árabe, só Jordânia e Egito reconhecem a existência do Estado de Israel. Israel é o maior beneficiário da ajuda externa norte americana no mundo. O segundo lugar é do Egito.

Por telefone, o presidente Barack Obama disse a Mubarak que ele “tem a responsabilidade de dar sentido às suas palavras, e dar passos concretos para cumprir suas promessas.” Repetiu a mensagem da secretária de estado Hillary Clinton, feitas horas antes, de “conter a violência contra manifestantes pacíficos”, e reverter os bloqueios às comunicações.

Em 2010, o Egito recebeu U$1,3 bilhão em auxílio militar e U$ 250 milhões em ajuda financeira dos Estados Unidos. Segundo a Casa Branca, a assistência pode ser “revista” com base no que acontece no país.

Tunísia é Tunísia. Egito é Egito. Mas…

Vamos acompanhar.

Clicando aqui, você assiste à reportagem da TV Brasil, que foi ao ar no Repórter Brasil na quinta-feira.

Logo coloco aqui a da sexta também – tão logo suba para o site.

E Mubarak fica…

O cabelo pintadinho de preto-asa-da-graúna é igualzinho ao do ex-presidente da Tunísia, Ben Ali. Mas a voz… quanta diferença. Bem mais forte. Por enquanto, pelo menos.

Há pouco, Mubarak diz que, se for para o bem da Nação… ele fica. Quem vai embora é o resto do governo.

MAPUTO (Moçambique) – Depois de horas de expectativa, o presidente egípcio Hozny Mubarak fez um pronunciamento ao país no início da madrugada de sábado (29), pela hora local.

Distanciando-se da crise, anunciou que vai mudar o primeiro escalão do governo ainda neste sábado. Lamentou as mortes da sexta-feira (28), prometeu combater à corrupção e comprometimento com as reformas que, segundo ele, não podem parar.

Mubarak afirmou que a solução dos problemas não virá com o que chamou de “caos”, mas com diálogo, exortando os egípcios a manter a calma. Declarou que se não houvesse liberdade no país, as manifestações de sexta-feira não teriam acontecido.

Terminou prometendo que o desemprego vai diminuir. “Estou do lado dos pobres, onde sempre estive” disse Mubarak.

Abaixo, a reportagem da Agência Brasil de um pouco mais cedo…

28/01/2011
Manifestantes ignoram toque de recolher e desafiam repressão do governo egípcio

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo (Moçambique) – Pelo quarto dia seguido, milhares de egípcios saíram às ruas das principais cidades do país para protestar contra o governo de Hosny Mubarak. Na capital, Cairo, e em Suez e Alexandria os manifestantes enfrentaram bombas de gás, cassetetes e canhões de água. Havia mais gente que na já histórica manifestação de terça-feira (25). A repressão policial também foi maior.

O toque de recolher decretado para o período da noite foi largamente ignorado. A sede do partido do governo, o Partido Nacional Democrático (NDP), foi incendiada, bem como vários carros da polícia. O ministério de Negócios Estrangeiros também foi atacado. Blindados do Exército foram mandados para as ruas. Alguns soldados foram vistos cumprimentando os manifestantes que deveriam reprimir.

As passeatas começaram logo depois da oração semanal dos muçulmanos. Exatamente como proposto nas milhares de mensagens que circularam pela internet nos últimos dias. Os protestos também venceram as barreiras religiosas. Cristãos e muçulmanos marcharam lado a lado, durante todo o dia.

Jornalistas de vários veículos denunciaram que foram espancados pelas forças de segurança do governo. A rede de TV Al Jazeera relatou o momento em que policiais batiam na porta do escritório da empresa, enquanto imagens dos distúrbios, captadas da janela , eram mostrados ao vivo. Não houve interrupção do sinal da emissora.

Nos primeiros minutos desta sexta-feira, a internet parou de funcionar. O bloqueio eletrônico imposto pelo governo de Mubarak também atingiu a troca de mensagens instantâneas por celular (SMS). Gráficos disponibilizados na rede pela empresa de monitoramento Renesys mostram que, às 00h34, hora local, praticamente todas as rotas dos provedores egípcios deixaram de ter tráfego. A empresa Vodaphone confirmou ter recebido instruções do governo para suspender parcialmente os serviços.

De acordo com a professora de comunicação da Universidade do Cairo Howayda Mostafa, citada pela Voz da America, sítios de relacionamento como Facebook e Twitter têm tido um papel preponderante na convocação das manifestações. Segundo ela, o alcance das mensagens fez com que, pela primeira vez, jovens de várias camadas sociais se envolvessem em um movimemento político dessa dimensão. Cerca de 3,4 milhões de egípcios têm conta no Facebook. É o país árabe mais presente no sítio de relacionamento.

O corte nas comunicações e a repressão aos manifestantes geraram um pronunciamento da secretária de Estado norte-ameriana, Hillary Clinton. Aliados de Mubarak, os Estados Unidos disseram-se “profundamente preocupados com a situação”. Hillary pediu o reestabelecimento da internet e dos serviços de telefonia, a permissão de protestos pacíficos e respeito aos direitos humanos.

Durante a madrugada, líderes da oposição ligados à Fraternidade Muçulmana foram presos. Até então oficialmente afastados dos protestos, parte dos líderes resolveu aderir. Mohamed El Baradei, vencedor do Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho como inspetor nuclear das Nações Unidas, foi detido, mas liberado em seguida. Ele chegou ontem ao Egito, vindo da Áustria, dizendo-se pronto para “liderar a transição” no país.

Para o especialista em Relações Internacionais Celso Gusse, do Instituto Superior de Relações Internacionais de Moçambique, o presidente egípcio tem mais condições que o ex-presidente da Tunísia, Zine al-Abidine Ben Ali, de resistir à pressão popular. “No Egito, as instituições – principalmente de defesa e segurança – estão mais comprometidos com o presidente da República do que na Tunísia”, afirmou Gusse. “Não diria que é impossível. Mas mas acho improvável que o presidente Mubarak abra mão do poder”.

Zine Ben Ali caiu depois de um mês de grandes manifestações populares, que começaram no interior da Tunísia e só depois chegaram à capital Túnis. A resposta da polícia foi violenta e deixou mais de 60 mortos, o que só agravou o quadro para o partido no poder.

Para o professor Gusse, outra diferença entre Tunísia e Egito está no perfil da população dos dois países. “A estrutura de sociedade no Egito é bem diferente da vista na Tunísia, que tem índices de alfabetização e escolaridade mais altos. A classe média também é mais forte que em relação ao Egito”.

“Os regimes árabes têm que perceber a necessidade de maior abertura às liberdades políticas e mudanças sociais”, afirma Celso Gusse. “Mas a forma como cada um desses países vai reagir é diferente.”

Edição: Vinicius Doria

Toque de recolher no Egito

Mesmo depois do toque de recolher, o povo continuava na rua. Tocaram fogo na sede do partido do governo e em delegacias da polícia.

A Al Jazeera está ao vivo, e as imagens são reproduzidas pela Telesur.

Clique aqui para ver a Al Jazerra
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Clique aqui para ver a Telesur.

28/01/2011
Confrontos nas principais cidades levam governo egípcio a decretar toque de recolher noturno

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo – Depois de cerca de seis horas de confronto entre manifestantes e policiais, o governo do Egito decretou toque de recolher para o período da noite. É o quarto dia de protestos no país, contra a situação da economia e o governo de Hosny Mubarak, há 30 anos no poder.

Os protestos se espalham pelo Cairo, capital do país, e pelas cidades de Alexandria e Suez. A polícia usa canhões de água, cassetetes e bombas de gás para tentar conter os protestos. Os manifestantes respondem ocupando as ruas, gritando contra o governo e atirando pedras nos policiais.

No fim da tarde, houve uma pausa nas hostilidades para a oração muçulmana. Manifestantes e policiais pararam tudo para rezar no meio das ruas.

Desde os primeiros minutos de hoje (28), a internet não funciona no Egito. A empresa Vodaphone confirmou às agências internacionais que suspendeu as operações por ordem do governo, de acordo com o previsto na lei.

Egito acorda fora do ar

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Vamos acompanhar.

28/01/2011
Egito está sob blecaute eletrônico

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo (Moçambique) – Desde os primeiros minutos de hoje (28), inúmeras páginas e endereços da internet no Egito estão inacessíveis, segundo os usuários. O serviço de troca de mensagens curtas por celular (SMS) também foi afetado.

Gráficos disponibilizados na rede pela empresa de monitoramento Renesys mostram que à 0h34 (hora local) praticamente todas as rotas das redes egípcias deixaram de ter tráfego para os demais países.

O problema surge horas antes de uma nova manifestação, programada pela internet. Desde a década de 60, manifestações só podem ocorrer no Egito com autorização governamental.

Nessa quinta-feira (27), o governo negou qualquer interferência nos provedores ou nas páginas das redes sociais, como já havia sido denunciado nos três primeiros dias de protestos populares contra a situação econômica do país e o presidente Hosny Mubarak.

Na redes sociais, é imensa a quantidade de mensagens dizendo que os egípcios temem pela reação da polícia, mas não vão desistir das manifestações programadas para hoje (28), logo depois das orações muçulmanas.