Família Real britânica é história na TV… fazer o quê?

Li hoje muita gente – mais ranzinza do que eu – reclamar do tamanho da cobertura dada ao casamento do príncipe Willian e da Princesa Lady Kate.

Ei! Esse tipo de transmissão assemelha-se ao carnaval: é altamente visual, entretenimento com um pouco de informação. Por ser longa, precisa de bom inglês e é tudo ao vivo, recorrer-se às figuras do jornalismo.

Mas dá boa televisão. Sempre deu.

A BBC (oh! A BBC, exemplo de tv pública…) foi “batizada” na coroação do Rei George VI. Tinha só seis meses de vida e meteu as câmeras na rua pela primeira vez para o evento. Era 12 de maio de 1937.

Dez mil sujeitos viram isso, que foi a primeira cobertura “de fôlego” da história da TV. Detalhe: a princípio, o rei foi contra a transmissão. Não queria “espetacularizar” a própria vida…

Outra data histórica para a TV mundial foi 2 de junho de 1953, quando a filha de George, Elizabeth, virou rainha do Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Ceilão e Paquistão.

Foi a primeira vez que os norte-americanos fizeram algo que depois se tornaria comum: uma renhida correria entre NBC e CBS nos grandes eventos internacionais. Uma concorrência que impulsionou muito (para o bem e para o mal) o desenho que temos hoje das chamadas “grandes coberturas ao vivo”.

O grande detalhe é que esta, especificamente, não foi ao vivo. Mas foi o que mais perto disso se podia chegar na época, em se tratando de algo passado no outro lado do oceano.

Tanto a NBC quanto a CBS fretaram um avião para, logo depois de gravar a cerimônia, poder mandar a fita sem depender de uma empresa de transporte. A operação de guerra envolveu adaptar o avião com máquinas de escrever e reveladoras de filme.

Pela CBS, a fita foi revelada sobre o Atlântico, e a chegada do avião ao aeroporto de Boston – isso sim – foi mostrada ao vivo. A avioneta tinha até o símbolo da CBS desenhado. O piloto entregou a fita a um funcionário, que saiu correndo para colocá-la na máquina. Dali mesmo, do aeroporto (pra não perder tempo), o filme foi exibido via link para todos os Estados Unidos.

Walter Cronkite foi o apresentador da CBS. Ele já havia ficado famoso ao cobrir a guerra, ficaria muito mais alguns anos depois, na primeira transmissão (aí muito mais séria, trágica e totalmente ao vivo) de um “breaking news” com o formato que vemos hoje: a morte de John Kennedy, em novembro de 1963.

Aqui abaixo, um pouco da gravação da BBC.

Portanto, chatos, aguentem a família real na TV, porque ela é parte da história da TV. Aqui em Moçambique, mostramos tudo ao vivo pela TV Miramar, para todos os PALOPS e falantes da língua portuguesa na África Austral. Ao vivo, com direito a apresentadores vestidos em alta gala no estúdio.

Pelos telefonemas que recebemos, a turma gostou.

Não gosto de monarquia, ficaria possesso se meu imposto pagasse por isso tudo. Acho que a coroa britânica cumpriu hoje sua única função no mundo atual – decorativa.

Fica a novelinha. Com beijinho no final e tudo.

2 comentários em “Família Real britânica é história na TV… fazer o quê?

  1. Adoro essas pérolas que você desencrava e que realmente fazem parte da história da TV e melhor ainda saber o trabalho que deu para mostrar isso ao mundo. Mas concordo com o Rei que não queria espetacularizar a sua vida rsss…. Abs

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