TV Miramar no Hoje em Dia

O prêmio ganho pelo jornalismo da TV Miramar virou reportagem no Hoje em Dia, da TV Record do Brasil, que também é exibido aqui em Moçambique pela própria Miramar, e em mais de outros 100 países, via Record Internacional.

O nosso, muito nosso, Celso Zucatelli foi – como sempre – gentilíssimo com a TV Miramar, com a Selma, comigo e, claro, com o telespectador moçambicano.

Aqui, o link para a página do Hoje em Dia, onde há, inclusive, um trechinho da reportagem.

Celso, Edu, Jeane e Cris são tão conhecidos aqui quanto no Brasil. E, também como no Brasil, lideram a audiência em Moçambique, durante as tardes, quando o Hoje em Dia está no ar.

Massa depois do almoço

Cuidado com esse troço de “mão inglesa”: quando você acha que já se acostumou a dirigir com o volante do outro lado, é que vem a bobagem. Não dá pra relaxar.

Voltando do almoço hoje, fiz a baliza e nem olhei pro lado adequadamente. Ao tirar o carro da vaga, bati no carro do lado. Uma raspadinha, mas o suficiente pra deixar um risco branco na porta do vizinho – que nem estava lá.

Salto do carro, e vem o flanelinha: “Tá tudo nice, patrão! Tudo controlado.”

Eu nem abro a boca, e ele já tira da bolsa um tubo de massa escura, aquelas de funileiro/lanterneiro/bate-chapa, ajoelha do lado do carro, tira um pano de lá de dentro e manda ver.

Um minuto depois, chega o motorista do dono do carro. Antes que ele diga algo, o flanelinha repete que “tá tudo nice, tudo controlado”. O cara nem fala nada.

Mais um minuto, e o flanela ergue-se, vitorioso. “Viste, patrão? Falei que aqui não ‘fatcha’ nada”, no sotaque típico daqui do sul moçambicano, que transforma “lh” em um som parecido com “tch”.

E não fatchou mesmo. Em três minutos, minha barbeiragem deixou a porta do carro do cara mais limpa. E meu bolso também – 100 meticais, que o “patrão” pagou sem reclamar.

Afinal, tava tudo nice, pá. Tudo controlado.

Telejornalismo da TV Miramar Moçambique premiado pela CNN Africa

A reportagem de Selma Marivate sobre os rastafaris em Moçambique recebeu o prêmio CNN Africa Multichoice na categoria “notícias gerais em português”.

No ano passado, o repórter Sérgio Sitóe já havia sido selecionado para a final. Neste ano, o trabalho da Selma foi reconhecido pelo juri final.

Reconhecimento ao talento e esforço dela, do Departamento de Informação da TV Miramar (que, não por acaso, é ela que dirige), e também ao jornalismo moçambicano – e, em especial, o de televisão.

Em quatro meses aqui, tenho aprendido muito. É uma troca rica e interessante. Estou permanentemente revendo meus conceitos, tendo que pensar antes de sugerir ou fazer coisas que, no Brasil, eu tomava por certas sempre. Enfrento dificuldades aqui que me ajudam a criar saídas, pensar em alternativas. Cansa, mas é muito bom.

Ao mesmo tempo, acho que consigo ajudar à turma de cá a descobrir coisas novas, tentar novos caminhos, pensar de um outro jeito, entender como funciona a nossa máquina de fazer televisão. Aqui vê-se muito TV do Brasil, mas fala-se pouco sobre ela.

Sempre digo a eles que a minha idéia não é ensinar nada a ninguém. Mas sim mostrar uma experiência. Nada é para ser copiado, mas para ser conhecido, e só adaptado se fizer sentido.

Afinal, como o prêmio comprova, a moçada sabe o que faz.

A peça premiada tem uma hora – é um episódio do programa Contacto Directo, de reportagens especiais.

Logo, logo coloco aqui.

Jornalismo da Miramar disputa prêmio da CNN África

Ao lado, um destaque da capa do semanário A Verdade – o jornal de maior circulação no país – que saiu hoje. A foto lembra o aniversário da independência moçambicana, que faz 36 anos amanhã.

Abaixo, uma reportagem sobre o prêmio CNN Africa de Jornalismo, que será entregue neste fim de semana em Joanesburgo, África do Sul.

Em destaque, dona Selma, editora e apresentadora do Contacto Directo e e âncora do telejornal Fala Moçambique. Graças ao trabalho dela nesses programas, agora ela é a directora de informação da Miramar.

Se ela trouxer o prêmio, ótimo. Se não trouxer, ótimo da mesma forma – como já foi no ano passado com o Sérgio Sitóe, que também qualificou uma reportagem para a fase final.

Segue a reportagem d’A Verdade:

“A televisão Miramar foi eleita para a final do prémio CNN de jornalismo africano, um evento anual que visa salientar a importância do papel dos jornalistas para o desenvolvimento de África, bem como premiar, reconhecer e incentivar o talento jornalístico em todas as áreas da comunicação social.

A matéria eleita foi exibida em meados do ano passado no programa Contacto Directo e fala sobre o movimento Rastafari, internacionalmente reconhecido e com seguidores em Moçambique. Circunscrevendo- se à polémica sobre a prática do sacramento com recurso à cannabis sativa, a reportagem mostra o consumo desta droga ilícita por crianças a partir dos dois anos, em que umas usam-na em forma de chá e outras de seis anos fumam-na. Actualmente com mais de 50 edições, o programa não pára de granjear simpatias um pouco por todo o país, apesar de o raio de acção estar limitado na província de Maputo. Com uma equipa de quatro pessoas, o Contacto Directo é composto por uma apresentadora, um editor, um repórter e um operador de câmara.

Para Selma Marivate, apresentadora do programa e directora de Informação da Miramar, é satisfatório representar Moçambique além-fronteiras, como também constutui uma grande responsabilidade. Refira-se que é a segunda vez consecutiva que a Miramar é apurada para a final dos prémios CNN depois de no ano passado ter conseguido o mesmo feito com o Jornalista Sérgio Sitoi, do programa Balanço Geral. Da lista de eleitos, constam outros dois falantes da língua portuguesa, nomeadamente Nkula Zau da Televisão Pública de Angola e José Bouças de Oliveira, da Televisão de São Tomé e Príncipe.

Selma Marivate que em 2010 ganhou o prémio da 3ª edição do concurso “Grande Prémio de Jornalismo SNJ & Vodacom” e desenha as perspectivas e as directrizes do programa, revela que nem sempre é fácil produzir o programa. “O apuramento é a parte mais difícil, por causa da dinâmica que caracteriza o terreno. “Podemos planificar uma coisa, mas quando vamos ao campo encontramos outra totalmente diferente”, diz.

Selma Marivate

Durante dois anos, Marivate trabalhou num dos prestigiados hotéis de Maputo, onde acalentava o sonho de crescer no ramo de hotelaria e turismo, mas viu a sua pretensão frustrada pelos assédios e chantagens de um superior hierárquico. “Por essa e outras razões abandonei o local através de uma carta de demissão”, conta e acrescenta: “além do assédio, a situação salarial era dramática. Tenho princípios rígidos, procuro zelar pela minha boa imagem e nessas condições quando não há hipóteses prefiro abandonar o barco”.

Há cinco anos na Miramar, dois apresentando o Telejornal e três o Contacto Directo, entrou na empresa como assistente de produção e logo recebeu uma proposta para fazer reportagens sociais. Sempre quis ser jurista, mas foi como apresentadora que ganhou o primeiro prémio profissional. “Antes, no hotel onde trabalhei já tinha sido nomeada entre trezentos trabalhadores”, conta. Frequentou o curso de direito na UEM mas abandonou-o quando frequentava o terceiro ano.

Embora com rumo diferente, considera-se dentro dos padrões profissionais que sempre quis. No exercício do jornalismo, confronta-se quase que sempre com a necessidade de usar regras. “Mas ainda não desisti. O direito também faz parte das minhas paixões. É muito bom cursar esta área porque permite conhecer profundamente questões jurídicas, também necessárias para o convívio social”, disse.”

O que fica é a vida

A cultura moçambicana dá muito peso ao momento da morte – como, também, várias outras culturas africanas.

Quem perde o pai ou a mãe fica vários dias sem trabalhar. Por causa da tristeza e, também, das cerimônias fúnebres, que reúnem a família, a vizinhança, os amigos.

Por isso tudo, foi de certa forma surpreendente, aqui, a despedida da Mariana.

Ela morreu ontem, em casa. Portuguesa, vivia em Moçambique há muito tempo. Era dona do restaurante que batizou um sanduíche com o nome do meu sobrinho (a tia, orgulhosa, contou a história aqui, no Mosanblog.)

Mariana estava com câncer, mas nós não sabíamos. Falante, sempre alegre, nunca deu nenhum sinal. Quando chegou a notícia, no fim da tarde de ontem, foi uma surpresa.

O marido, Jorge, despediu-se como Mariana pediu: de forma rápida, simples, discreta. Não avisou ninguém – só soube quem, de um jeito ou de outro, o ajudou desde quando ela faleceu, menos de 15 horas antes.

Quando chegamos no cemitério do Lhanguene, o crematório – “Crematório Hindu”, dizia a marca na porta – estava vazio.

Logo depois veio o carro da funerária, trazendo o motorista, o Jorge, e um caixão simples, de madeira prensada, pintado de cinza azulado. Três rapazes tiraram o caixão do carro e o colocaram em um carrinho de ferro, já em frente ao forno.

O forno é uma construção grande, que lembra a imagem que temos de uma caixa-forte de banco, com portas pesadas que se encontram no meio.

Não havia flores, cadeiras, nada. Jorge olhava, sozinho, no canto, com os olhos molhados.

Algumas pessoas conhecidas chegavam, e cumprimentavam o Jorge sem dizer muita coisa. Nisso, os rapazes do cemitério começaram a colocar toras de madeira sob o caixão. Alguns pedaços de tronco também foram dispostos por cima.

Ao lado, no jardim, uma fogueira já ardia. Um dos rapazes foi lá e, com uma pá comprida, pegou um pouco dos brasas incandescentes.

“Um familiar, por favor”, disse o homem, entregando a pá ao Jorge. Foram as únicas palavras da cerimônia.

Jorge pegou a pá e colocou sob o caixão, como indicado pelo funcionário. Logo, outra pá de brasas foi depositada no outro lado do caixão, e uma fumaça esbranquiçada começou a subir.

Em três, quatro minutos, o caixão começou a arder. Então, os funcionários empurraram o carrinho para dentro do forno. Enquanto a porta fechava, as labaredas envolviam o caixão em uma luz alaranjada.

Não houve prece, reza, discursos, despedidas. Só o silêncio.

Em dez minutos, em meio à dez pessoas se tanto, saí do crematório lembrando das gargalhadas na Mariana, do sanduíche da Mariana, do pouco que convivi com ela. Da morte, nada.

O que ficou, foi da vida.

Maningue audiência, pá!

“Maningue” é gíria moçambicana para “demais”, “bastante”, “um montão”.

Acho que se enquadra ao resultado do Balanço Geral no último dia 15.

O nosso Ernesto Martinho tem só cara de bravo. E, detalhe: é formado em Relações Internacionais.

Pois é, Datenão. Aqui em Moçamba também tem gajo que manda por na tela. Ali, ó…

FIFA, COI, governos… não faltou aviso

Leio – oh! – que a FIFA e o Comitê Olímpico querem aprovar uma lei que os coloca – oh! – acima da lei de licitações.

Escrevi sobre isso no ano passado, durante a Copa. A TV Brasil fez matéria.

Relembre aí embaixo.

Copa e Olimpíada não são a maravilha que apregoam os realizadores, nem precisa ser a roubalheira que dizem os críticos.

É algo de relativo impacto na economia. E imenso impacto na auto-estima do povo. Sendo bem regido, traz ótimos resultados para todos. Sendo mal conduzido, traz lucros para alguns.

Esses últimos, aliás, não perdem nunca.

da internet

Ao assinar o contrato que define um país como sede de Copa, a FIFA exige que ele faça de tudo para proteger seus direitos e de seus parceiros.

Aqui na África do Sul várias leis foram mudadas pra satisfazer a entidade, como mostrado aqui, no Repórter Brasil.

A reportagem também fala da imensa polêmica em torno do vestidinho laranja das modelos/ cervejaria holandesa.

Seria bom que os sempre solertes legisladores brasileiros – e quem quer ser no futuro próximo também – atentassem para isso. Receber o evento, ótimo. Mas sem jogar a soberania no lixo.

Mesmo que seja “só” por um mês de 2014.

Complementando: num momento de lucidez, a Fifa resolveu não levar a ação criminal à frente. Deu pra contar minutos depois do anúncio, no Repórter Brasil manhã. Veja aqui.

Dia da Criança Africana

Repito aqui o post que publiquei há exatamente um ano, no local onde ocorreu o massacre que deu origem à celebração de hoje, no bairro do Soweto, Joanesburgo, África do Sul.

Além da linda foto de Marcelo Casal, nele há o link para a reportagem que fiz para a TV Brasil, em meio à Copa do Mundo.

Aqui em Moçambique, é dia de dupla homenagem. Às crianças e aos velhos combatentes. Pois foi também num 16 de junho que se deu o episódio que motivou o início da luta de libertação do país (na prática foi em 25 de Setembro, o “dia do primeiro tiro”).

Há 51 anos, ocorreu o Massacre da Mueda, quando as forças coloniais responderam a bala a um dos primeiros movimentos pró-independência de Moçambique.

Levou 15 anos para chegar à libertação. Muita gente morreu no período. Tanto aqui, na luta armada, quanto em Portugal – primeiro, o ditador Antonio de Oliveira Salazar; e, em 1974, a ditadura que ele instalou.

Minha homenagem a quem luta pela sua causa. Entre eles, Ahmed Kathada, que aparece na reportagem aí. Acabo de ler a biografia de Nelson Mandela e “Kathy” – como Mandela refere-se a ele – é personagem de muito destaque. No livro, e na luta.

Esta quarta-feira foi o Dia da Juventude. Ela saiu às ruas de Soweto para lembrar que liberdade se conquista. E o quanto custa essa conquista.

O garoto da foto ficou nos rodeando durante a visita ao memorial de Hector Pieterson. Ele tem 11 anos, a mesma idade que tinha Pieterson quando morreu baleado pela polícia no protesto que deu origem ao feriado. Ele lia os nomes dos meninos que morreram na época, nos conflitos que seguiram ao ataque de Soweto. Eles estão marcados nessas pedras, espalhadas pelo chão.

Reparou nos olhos dele?

Fotos do Marcelo Casal, da Agência Brasil. A galeria completa está aqui.

A visita também rendeu reportagem no Repórter Brasil, que conta mais detalhes sobre a data, o significado dela e traz uma entrevista com um ícone sul-africano, Ahmed Kathrada, um dos ativistas condenado à prisão perpétua junto com Mandela, em 1964. Veja aqui.

O polvo morreu, é? Morreu pra você, filho ingrato

A piada é velha, mas como sempre tem gente que nunca ouviu, eu repito.

O Velho Político Populista chega para mais uma visita ao interior. E, ao descer do carro, encontra com o filho de um velho correligionário que – claro, ele não lembra quem é.

“Olá, doutor. O sr. lembra de mim, né?”

O Velho Político Populista usa de um velho truque para não passar vergonha:

“Claro! Você é filho do…. do….”

“Wilson!”, diz o rapaz.

“Claro, do Wilson, velho amigo. E como ele vai?”

O filho do Wilson faz cara de triste. Olha bem nos olhos do Velho Político Populista, e com expressão de choro, diz:

“Ele morreu, doutor. O senhor até mandou flores!”

Sem perder a pose, o Velho Político Populista arremata, cortando o choro do jovem:

“Morreu pra você, filho ingrato. Porque ele continua vivo nos nossos corações”.

Isto posto: você lembra do Polvo Paul, que ficou famoso há exatamente um ano, durante a Copa do Mundo, porque previa os resultados dos jogo?

Pois é: morreu pra você, filho ingrato. Porque continua vivo no coração, no consultório e na conta bancária do Dr. Mwanaxiipeta.

Dr. Mwanaxiipeta é curandeiro aqui em Maputo. E prevê o futuro com a ajuda do polvo – como você vê aí embaixo, no anúncio publicado no jornal O Público.

E, a quem interessar possa, como todos – todos – os curandeiros, Dr. Mwanaxiipeta também promete “aumentar o sexo ao tamanho de sua escolha e preferência”.

Caso não leve fé no polvo do dr. Mwanaxiipeta, veja, do lado, o anúncio do Dr. Mucuru.curu. E experimente a Sopa Zunga que – rá! – “aumenta rapidamente o sexo masculino ao tamanho de sua escolha”. Sem contar que dá “protecção aos dentes, tira o mal cheiro da boca e trata impotência sexual.”