O monstro, o correto e o dispensável

ThSilva

Publicado sexta, 18 de setembro (08:17)

(Nota: nos próximos dias, republico aqui minhas primeira colunas no Fato On Line. Cheque a data antes de discutir velhas novidades…)

Agora sim: Tenho dificuldades em entender o desespero de alguns colegas por causa da ausência de Thiago Silva na convocação da seleção brasileira que joga em outubro as duas primeiras partidas das Eliminatórias da Copa de 2018. Repare: entendo acharem que Thiago Silva tem futebol para estar na seleção. Isso até que ele tem. Mas não tem todo o resto. E isso faz uma baita falta.

A zaga da seleção não é grande coisa mesmo. Focam convocados os corretos – nada além – David Luiz (PSG), Marquinhos (PSG), Miranda (Atlético de Madri) e Gil (Corinthians). Nenhum craque incontestável, nenhum insubstituível. O contrário, até. É o que temos.

Eu não convocaria David Luiz. Apesar de valer milhões lá pros empresários geniais da Europa (tem Coaf na União Europeia, aliás?), não passa de um jogador correto. Não é grosso; é correto, esforçado. Tem um cabelão engraçado (parecido com o Pshyco Bob, que vive querendo matar o Bart nos desenhos dos Simpsons), mas, principalmente, é ótimo de márquetim. Tão bom que, graças a sua enorme exposição, virou o jogador-símbolo dos Sete a Um.

Mas não é por que a zaga não é lá um portento que vamos chamar de volta quem já não funcionou. Thiago pode ter dado certo no Fluminense, no Milan, no Paris Saint-Germain. Mas, na seleção brasileira, não deu.

Vá lá: cite qual é a primeira coisa que vem à sua cabeça quando falamos de Thiago Silva. Meus colegas que sabem de cor o time reserva do Borussia Dortmund da temporada 2004/2005 e outras informações similares talvez digam que foi o melhor zagueiro do Brasileirão 2008, pelo Fluminense. Ou que é ídolo no Milan. Mas você, que, como eu, gosta mesmo é de torcer pelo seu time, aposto que vai dizer que lembra dele mesmo é chorando na beira do campo, nas quartas de final da Copa, contra a Colômbia, dizendo que não queria bater pênalti. E isso basta. “Ah, mas é um único momento numa carreira brilhante”. Sim, pode ser. Mas basta.

O sujeito era capitão da seleção brasileira, jogando uma decisão em casa. Podia ter jogado mal, podia ter feito gol contra. Mas não podia ter se mostrado incapaz de lidar com o momento. Quem é incapaz de lidar com pressão não pode jogar na seleção brasileira. E não consigo acreditar que tenha melhorado muito psicologicamente em um ano. Até porque, na Copa América, há dois meses, mostrou, de novo, que não tem no equilíbrio seu ponto forte. Meteu a mão na bola infantilmente, fazendo um pênalti que abriu caminho para o Paraguai empatar e tirar o Brasil da semifinal contra a Argentina. Tão ruim quando fazer, foi não admitir – disse que “não percebeu” que havia enfiado o bração na bola.

Tinha feito burrada parecida num jogo decisivo do PSG contra o Chelsea. Mas ali conseguiu, pelo menos, fazer um gol depois. Com a camisa do Brasil ele nunca fez o gol depois. “Monstro” (apelido dele na Itália) não falha desse jeito e por esse motivo na hora decisiva. Não adianta nada jogar bem o ano todo – a vida toda até – se não consegue fazer o mesmo quando mais se precisa que ele jogue.

Compare com Paolo Guerrero. Não é um gênio, não é um monstro – mas, quando o time precisa dele, não se omite, está lá. E faz. Foi assim no Corinthians, tem sido assim no Flamengo. Qual dos dois você prefere no seu time?

Há chances na vida que só se tem uma vez. Imagine a mocinha, na frente da igreja, linda, vestida de branco, de braço dado com o papai, pronta para realizar seu sonho. Só que a porta não abre, a marcha nupcial não toca. Daí alguém vem e fala: sabe o que é? É que o noivo não aguentou a pressão, começou a chorar na sacristia e diz que não quer mais brincar”. Monstro sim, mas veja só por qual motivo. A escolha é do casal, óbvio. Se eles quiserem, podem até tentar casar de novo. Mas o papai aqui não deixaria de alertar: “desculpa, anjo: esse cara vai te deixar na mão ali, na primeira dificuldade. Pense bem antes de entrar nessa fria”.

É assim com Thiago Silva. Mas, e daqui um tempo? Talvez. Depois que nos esquecermos do Sete a Um e de tudo o que levou àquilo. Você vai esquecer? Eu não.

http://fatoonline.com.br/conteudo/9191/o-monstro-o-correto-e-o-dispensavel?or=h-opi-colu&p=l&i=5&v=0

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