Sudão do Sul na TV Brasil

Reportagem exibida no Repórter Brasil.
Clique aqui pra ver.

Aliás, vc já viu o episódio dos Simpsons em que o Kent Brokman (o sujeito aí ao lado, que uso para indicar as reportagens de TV) é demitido do Canal 6 e depois volta, coberto de glória?

Como dizem aqui, valapena ver. Coleguinhas de TV, principalmente…

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Terminou o referendo no Sudão. A África terá 54 países

Se vai ser bom ou não, vamos ver lá adiante.
Talvez nem tão adiante assim.

Acompanhei o processo há algum tempo – que passa sempre por aqui sabe. Fazendo uma pequena busca no blog (clicando aqui vai direto), dá pra perceber que é algo bem completo.

Boa sorte aos envolvidos – nós todos, que vivemos na África.

17/01/2011
Resultado de consulta popular sobre divisão do Sudão deve ser homologado até 15 de fevereiro

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo (Moçambique) – A consulta popular que pode decidir pela divisão do território do Sudão em dois países terminou no sábado (15). O resultado deve ser homologado, no máximo, em 15 de fevereiro. Até lá, haverá a apuração das cédulas de papel e um período para eventuais reclamações.

O processo de votação durou uma semana e foi aprovado por mais de mil observadores internacionais que acompanharam a votação. Ele era aguardado desde 2005, quando foi firmado o acordo de paz que pôs fim à guerra civil de 23 anos no país. Apesar dos elogios, a votação não foi totalmente pacífica: pelo menos 35 pessoas morreram em confrontos na região de fronteira.

Somente sudaneses nascidos no Sul podiam votar. A região é majoritariamente cristã, enquanto o Norte é muçulmano. Além disso, é lá que ficam as maiores reservas de petróleo do país.

Em várias ocasiões, o presidente Omar Al Bashir disse que o governo aceitará e seguirá qualquer que seja o resultado. A afirmação é vista com ceticismo por analistas internacionais.

Para o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, um dos observadores internacionais, é “altamente provável” que vença a proposta de independência do sul do país. Em entrevista em Cartum, capital sudanesa, ele disse esperar que os partidos do Sul e do Norte unam-se em conversações para “preparar as modificações na Constituição”.

Caso se confirme a vitória da proposta de separação, o novo país será criado em 9 de julho deste ano e nascerá como um dos mais pobres do mundo. Hoje em dia, mais da metade de seus quase 9 milhões de habitantes sobrevivem com menos de US$ 1 por dia de renda média. O índice de analfabetismo ultrapassa os 70%. O Sudão do Sul surgiria com o tamanho do estado de Minas Gerais e com capital na cidade de Juba.

Edição: Graça Adjuto

Olhar brasileiro sobre o Sudão II

Agora, pela lente da TV Brasil.

Clique aqui para ver a reportagem, exibida no Repórter Brasil.

Olhos brasileiros sobre o Sudão

Entrevista que fiz com o embaixador Antonio Pedro. Boa sorte pra eles: o embaixador e pro Sudão.

06/01/2011
Às vésperas de consulta popular, Sudão vive momento de expectativa e tranquilidade

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo (Moçambique) – O Sudão aguarda com expectativa e tranquilidade
o início da consulta popular que pode dividir o território do país. De acordo com o embaixador brasileiro no país, Antonio Carlos do Nascimento Pedro, as ruas da capital Cartum não indicam que uma tão temida revolta popular possa acontecer nos próximos dias.

“As instituições estão funcionando. Não há movimento na rua que denuncie ou prenuncie violência ou instabilidade política”, afirma o diplomata brasileiro. “Não há nada que, concretamente, indique uma situação de insegurança. Há, sim, uma ansiedade natural pelo processo.”

A consulta popular, marcada para 9 de janeiro, é aguardada desde 2005, quando foi assinado o acordo de paz que pôs fim à guerra civil que tomava conta do país havia 23 anos e deixou mais de 1,5 milhão de mortos. De um lado estava o Norte, de população muçulmana, onde fica a capital Cartum; do outro, o Sul, majoritariamente cristão, liderado a partir da cidade de Juba. Além da religião, o petróleo fazia com que o Sul lutasse pela independência.

Analistas internacionais indicavam que – caso o governo central resistisse à realização do processo ou colocasse em dúvida a implementação dele, no caso de vitória da separação – os conflitos não tardariam a voltar.

A tensão atingiu pontos altos durante as negociações que definiram as regras do recenseamento eleitoral e a tentativa – deixada para mais adiante – de delimitação clara das fronteiras das duas regiões. Houve movimento e instalação de tropas dos dois lados. Mas, de acordo com o embaixador Antonio Pedro, o quadro é outro na capital do país.

“Não vejo nenhuma situação de conturbação social ou qualquer excepcionalidade”, afirma ele. “Vejo, sim, um país caminhando para uma consulta popular ampla e de extrema relevância”, diz o diplomata, que está no Sudão desde julho de 2009.

Dos cerca de 40 milhões de sudaneses, 4 milhões registraram-se para votar. São sulistas que vivem em todo o país e também em algumas cidades do exterior. O processo dura uma semana. Para ser válida, a decisão precisa ser tomada por 60% dos eleitores inscritos.

Terminada a apuração, no dia 15, começa a verificação dos votos em cédulas de papel. Contando com o prazo para recursos e homologação, os resultados oficiais devem ser divulgados apenas em meados do mês que vem. Mas deve ser de conhecimento público, extraoficialmente, bem antes disso.

Apesar da tensão natural, o embaixador brasileiro em Cartum acredita que, caso haja mesmo a separação, os dois lados precisam rapidamente definir bases pacíficas para a convivência. E o mesmo petróleo – que chegou a ser motivo de conflito – será também fator para esse equilíbrio.

“Grande parte das reservas [do petróleo já descoberto] está no território que seria do país do Sul”, lembra Antonio Pedro. “Mas a estrutura de refino e escoamento está instalada no que seria um futuro país do Norte. Poderia ser desenvolvido algo parecido no país do Sul? Sim, mas leva tempo. Até lá, eles precisam achar a melhor forma de conviver.”

O Brasil abriu uma embaixada no Sudão em 2006. Ela apoia o comércio entre os dois países – que é pequeno, mas crescente – bem como projetos de cooperação técnica, além da implementação de ações de empresas brasileiras, especialmente no campo da agricultura.

Edição: Talita Cavalcante

Suplicy no Sudão

Pra falar de renda mínima, claro.

Sem piada: é o tipo de reportagem que eu curto fazer. Ele me atendeu lá em Cartum (por telefone, obviamente) e também falou do referendo, como você vai ver na reportagem aí embaixo.

Curto não só porque é bacana localizar o senador no Sudão. Mas porque ele veio aqui pra mostrar o que o Brasil fez para estar melhor do que estava há alguns anos. Caminho que qualquer um pode seguir.

Nesse caso específico, está bem, bem melhor, com 21 milhões de pessoas a menos abaixo da linha da pobreza.

E não é porque é bolsa-família, Suplicy, PT, não.

Também curti muito fazer, na semana passada, uma entrevista com a senadora Katia Abreu, no estacionamento da embaixada japonesa aqui em Maputo. Ela veio explicar para Moçambique como o Brasil, com condições (boas e más) de alguma forma semelhantes às dele, conseguiu se transformar no maior exportador de comida do mundo (a matéria está aqui, caso não tenha visto).

Não é patriotada, bairrismo ou outras bobagens do gênero. Mas curto mostrar para o Brasil que muitos brasileiros correm por aí com muita coisa pra mostrar. Ao contrário do que nos fazem sentir, nem tudo no país dá errado. Muito ao contrário.

Hoje em dia mandamos para fora de avião a pão de queijo em saquinho (compro aqui, aliás), passando por pasta de dente, prostituta, técnico de futebol, sapato, bolacha e minério de ferro.

Mas também – e principalmente – exportamos conhecimento.

24/11/2010
Sudão faz plebiscito sobre a separação da parte rica em petróleo

Eduardo Castro
Correspondente da EBC para a África

Maputo – As eleições no Sudão e o plebiscito sobre a separação da parte sul, rica em petróleo, do restante do país, que ocorrerão em 45 dias, ainda não dão sinais de terem tomado as ruas da capital, Cartum. “Nas ruas, não há grandes manifestações, mas existem cartazes com indicações para quem quer se recensear para votação”, diz o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que esteve no Sudão para fazer palestras em defesa da renda básica de cidadania.

No entanto, a consulta popular está marcada para 9 de janeiro do ano que vem, para definir se o Sudão, país com maior território da África, será ou não dividido em dois. O referendo é uma exigência da Região Sul do país que quer a independência. Faz parte do acordo de paz de 2005, que pôs fim a uma guerra civil de 23 anos, que matou mais de 1,5 milhão de sudaneses.

“Fui recebido no palácio do governo por assessores próximos do presidente (Omar Al) Bashir, que disse que o governo vai respeitar o resultado do referendo, que é considerado normal e democrático, porque faz parte do acordo de paz”, afirmou o senador que disse que os sudaneses estão empenhados em demonstrar a unidade do país.

Ontem (23), o presidente Omar Al Bashir e o líder sulista do Movimento de Libertação do Povo do Sudão (SPLM), Salva Kiir, reafirmaram o compromisso de respeitar o resultado da consulta.

Os dois estiveram em Adis Abeba, na Etiópia, para um encontro do Inter Government Agency for Development (Igad), mediado pelo primeiro ministro anfitrião, Meles Zenawi. O Igad parabenizou os dois lados por buscar o consenso. Ao mesmo tempo, convocou as lideranças a chegarem à próxima rodada de negociação com o “espírito de compromisso” para garantir os direitos dos cidadãos.

O encontrou terminou sem novos acordos sobre definição de fronteiras ou do destino de Abyei, região produtora de petróleo que fica na divisa Norte-Sul. Porém, ambos concordaram em continuar as discussões.

De acordo com a agência estatal de notícias do Sudão, o presidente Bashir afirmou que “não se voltará à guerra” e que o governo trabalhará para fortalecer as relações com o Sul mesmo que a decisão seja pela separação.

No final de semana passado, integrantes do partido do governo voltaram a dizer que poderiam não reconhecer o resultado da votação de janeiro. O Partido do Congresso Nacional (NCP), do presidente Bashir, acusou o SPLM de pressionar os sulistas que moram na capital, Cartum, a não se registrar para votar.

Uma reclamação formal foi feita à Comissão Eleitoral, que também lista outras “irregularidades”, como atrasos deliberados no registro e fechamento de locais antes da hora prevista.

Já a SPLM acusou o NCP de fazer pressão em favor da unidade, coletando telefones e dados pessoais dos eleitores. O partido alega que muitos sulistas preferiram viajar para a região de origem para evitar o que chama de “intimidação”.

O registro dos eleitores começou em 15 de novembro e vai até o dia 31. Na capital, os centros têm pouca procura, segundo a imprensa local. No Sul, a procura é maior.

24/11/2010
Suplicy defende renda mínima para países africanos em conferência no Sudão

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo – Mesmo seguindo os conselhos do Fundo Monetário Internacional (FMI) desde 1997, e rico em óleo, gás, ouro, prata, cobre e outros minérios, metade da população do Sudão está abaixo da linha da pobreza, vivendo do que consegue plantar ou de auxílio humanitário. Palco da guerra civil mais longa da África que durou 23 anos, encerrada em 2005, o país estuda formas de combater a miséria com projetos de inclusão social.

“A ministra de Ação Social daqui me agradeceu muito por vir aqui trazer a nossa experiência para a 2ª Conferência Africana de Desenvolvimento Social”, afirmou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que participa do encontro na capital do país, Cartum, que vai até amanhã (25). “Ela irá ao Brasil na semana que vem para participar de um encontro mundial sobre o assunto, em Brasília”.

Na pauta, projetos de inclusão, transferência de renda, microcrédito, cooperativismo e empreendedorismo. Suplicy falou sobre o programa brasileiro Bolsa Família para ministros da área social dos países africanos. Disse que ele é apenas o primeiro passo para a implementação da renda básica de cidadania, instituída por lei em 2004.

“O conceito de implementar a renda básica universal é cada vez mais aceito”, afirmou o senador, que defende a ideia há muitos anos. “Elimina a burocracia, a vergonha de declara-se pobre e a dependência, pois é igual para todos”.

Segundo ele, o debate está avançado na África do Sul, onde recebeu o apoio da maior central sindical do país – a Cosatu – e do bispo anglicano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1994. “Eles já instituíram uma aposentadoria para idosos que segue os moldes da renda mínima”.

Na Namíbia, um projeto piloto é patrocinado por igrejas e sindicatos alemães, que garantem U$ 12,00 (R$ 20,00) mensais para os mil habitantes da pequena vila da Otijvero, desde janeiro de 2008. “Os resultados são positivos, mas serão mais bem avaliados em fevereiro, durante um seminário”.