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Lula, Guebuza, TV Brasil na África

Antes de deixar Moçambique, o presidente Lula foi ver a futura fábrica de antirrretrovirais, a primeira pública do continente.

Em outras palavras: o primeiro lugar na África onde se vai fazer remédio anti-AIDS (na parte do mundo mais afetada por ela) sem objetivo de obter lucro – e, consequentemente, injetá-lo no preço do comprimido.

Como brasileiro, tenho muito orgulho disso. E, confesso, não sei se nossas reportagens conseguiram fazer com que o telespectador notasse o que está ajudando a fazer com o dinheiro dos seus impostos. Na agência, texto escrito, é mais fácil.

Como vou continuar aqui, tentarei deixar isso claro sempre que falar do assunto -como já tenho feito.

Clique aqui para ver como a TV Brasil mostrou a despedida de Lula da África.

Pela última vez como presidente, Lula se despede da África

Maputo despediu-se de Lula com muita gente na pista do aeroporto. Na correria, não tirei nenhuma foto em que ele aparece…

Bélia adorou ver o presidente “de pertinho”, mas ficou mais radiante quando ela e o Estevão, nosso cinegrafista, foram apresentados ao presidente moçambicano, Armando Guebuza.

Como toda visita presidencial, houve muito trabalho, muita tensão e – isso nem sempre é assim – muita notícia.

Lula parou para falar conosco nos três dias, em entrevistas rápidas, mas organizadas.

Como dizemos no nosso jargão, “deu lead”.

10/11/2010
Moçambique: Lula volta a defender Enem, mas diz que prova pode ser refeita

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo (Moçambique) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (10) que qualquer problema ocorrido nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não invalida os resultados alcançados e que o processo vai continuar. “O Enem é um exemplo de uma coisa bem-sucedida. Se tem problemas, vamos consertar”, afirmou. Lula falou com os jornalistas na Base Aérea de Malavane, minutos antes de deixar a capital moçambicana rumo à Coreia do Sul, onde participa da reunião do G20.

O presidente garantiu que a Polícia Federal vai investigar para saber o que ocorreu efetivamente no exame e que nenhum jovem vai ficar sem cursar a universidade. “Se for necessário fazer uma prova, faremos; se forem necessárias duas, faremos. Mas o Enem vai continuar a ser fortalecido. É isso.”

Sobre a recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) de paralisar 32 obras públicas por irregularidades graves, Lula disse que o ato é uma questão administrativa. Do total, 18 são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O relatório foi entregue ao Congresso Nacional, que decidirá se aceita a recomendação.

“Se o TCU encontrou alguma irregularidade, na lógica dele, numa obra, pode ficar certo que o ministério atingido vai entrar com recursos e isso certamente será resolvido”, afirmou Lula. “No fundo, faz parte da normalidade administrativa do nosso país”.

Sobre a prisão de um dos chefes da Receita Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e mais 22 pessoas, por suspeita de fraudar importações, o presidente disse que o fato mostra a seriedade do trabalho da polícia brasileira. “Seja quem quer que seja – do presidente ao menor servidor público – só tem um jeito de não ser molestado: é andar na linha.”

No último compromisso antes de deixar Moçambique, o presidente Lula visitou as futuras instalações da fábrica de remédios antiaids, que está sendo montada com patrocínio do governo brasileiro. Depois de uma espera de sete anos, a primeira máquina foi instalada para treinamento.

A mineradora brasileira Vale anunciou que irá ajudar o governo moçambicano a completar o valor necessário (U$ 4,5 milhões, aproximadamente R$ 7,6 milhões) para a adequações do prédio que vai abrigar os laboratórios. O investimento do governo brasileiro foi de R$ 13,6 milhões. A meta é produzir 250 milhões de comprimidos até 2012.

A comitiva do presidente deixou Maputo logo depois do meio-dia, hora local (8h em Brasília). A aeronave fará uma escala para abastecimento nas Ilhas Maldivas e desembarca em Seul ao meio-dia de amanhã (11), pelo horário local.

Lula, os empresários e os predadores

Na coletiva, o presidente disse que fez o comentário sem ter ouvido ninguém reclamar diretamente.

Mas eu, que moro aqui, tenho escutado os primeiros murmúrios contra o Brasil. Algo até natural para quem começa a ocupar espaço.

A China também é alvo. Mas – cá entre nós – eles fazem por onde: trazem até os trabalhadores para as obras que constróem aqui.

O Brasil faz bem de demonstrar que seu interesse na África é muito mais profundo que o buraco aberto por qualquer mineradora.

O Lula fala toda hora da “impagável dívida histórica”. Mas também na cooperação “sem imposições.”

Deve ser assim. E não pode deixar de ser.

Caso contrário, traria só escavadeiras. Mas trouxe microscópios, livros, computadores.

E conhecimento.

Reportagem da Agência Brasil.

09/11/2010
Lula pede que empresários brasileiros não atuem como predadores na África

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exortou hoje (9) os empresários brasileiros que atuam na África a não serem “predadores”. “As empresas brasileiras não estão aqui apenas para explorar o potencial mineral de Moçambique”, disse Lula, ao discursar durante jantar oferecido pelo presidente moçambicano Armando Guebuza à delegação brasileira. “Estão aqui para ajudar as economias desses países também”.

Depois de ouvir vários elogios na fala do presidente Guebuza, Lula afirmou que a presidenta eleita Dima Rousseff irá manter a política de valorização do relacionamento com o Continente Africano. “Vai continuar e se fortalecer. Estamos apenas começando”.

Segundo ele, a “dívida histórica” do Brasil com a África é impagável em termos financeiros, mas o Brasil tem conhecimento e está disposto a compartilhá-lo com os países africanos. O presidente mencionou as iniciativas de cooperação que o Brasil mantém com Moçambique, como o lançamento dos polos de ensino a distância ligados à Universidade Aberta do Brasil (primeiro evento do dia) e a construção de uma fábrica de remédios antiaids, que será visitada amanhã (10).

Antes do jantar, os presidentes Lula e Guebuza acompanharam a assinatura de atos e acordos bilaterais pelos chanceleres Celso Amorim e Oldemiro Baloi. Pelo primeiro, o governo brasileiro investirá cerca de R$ 900 mil (US$ 519 mil) em dois anos de projeto que prevê a instalação do banco de leite, aquisição de equipamentos, transferência de tecnologia e capacitação de profissionais. O banco de leite será instalado no Hospital Central de Maputo, o maior da capital moçambicana.

A cada mil crianças que nascem em Moçambique, 48 morrem nos primeiros 28 dias. No Brasil, são 13,8 óbitos por cada mil nascidos vivos. Estatísticas internacionais mostram que o leite materno pode reduzir até 13% as mortes de crianças menores de 5 anos.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem a maior rede de bancos de leite do mundo, com mais de 190 unidades que atendem cerca de 100 mil recém-nascidos por ano. Cento e quatorze mil mulheres doaram leite para o banco brasileiro no ano passado. A tecnologia brasileira de controle de qualidade e processamento do leite é referência para vários países latino-americanos, caribenhos, africanos e europeus.

Outro acordo assinado prevê cooperação técnica para criação de um instituto de excelência voltado à saúde maternoinfantil em Moçambique. O Brasil doará cerca de R$ 260 mil (US$ 150 mil) para a implantação de um centro de telessaúde da mulher, da criança e do adolescente, de uma biblioteca virtual em saúde e do programa de ensino a distância para capacitação de profissionais.

Edição: Nádia Franco

Lula e a universidade aberta

Reportagem publicada na Agência Brasil

09/11/2010
Em Moçambique, Lula chama de “pequena revolução” avanços educacionais brasileiros dos últimos anos

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo (Moçambique) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje (9) o papel do Estado na educação ao lembrar as iniciativas do setor ao longo de seus dois mandatos, que chamou de “pequena revolução”.

“Não permitam que se repita aqui o erro do Brasil da década de 90”, disse o presidente durante a aula inaugural de três polos da Universidade Aberta do Brasil na capital moçambicana. “Quem vai resolver o problema da educação é o Estado. Ele é razão da nossa existência e nós somos razão da existência dele.”

Lula ministrou a aula inaugural da primeira turma da Universidade Aberta do Brasil (UAB) no exterior. No total, 620 estudantes acompanharam a palestra no auditório da Universidade Pedagógica em Maputo e nos polos presenciais das cidades de Lichinga e Beira, ambos em Moçambique. A ideia é, em seis meses, integrar mais três cidades à rede, chegando a nove palos em 2012.

Quando explicou os motivos que levam o governo brasileiro a criar polos de estudo a distância em parceira com universidades de Moçambique, Lula voltou a falar da dívida “histórica” com o povo africano e da necessidade de ambas as nações sentirem-se capazes de sair da condição de pobres ou emergentes.

“É construir um futuro em que o Sul não deve ser dependente do Norte. Devermos ser tão importantes ou sabidos quanto eles”, disse Lula, ao afirmar que o Brasil é uma mistura de africanos, indígenas e brancos. “É uma vantagem comparativa, mas como tivemos a cabeça colonizada por séculos, aprendemos que somos seres inferiores. E que todo mundo que enrola a língua é melhor que nós”, afirmou.

Lula disse que é preciso ter a convicção de que só o estudo pode garantir às pessoas a igualdade de oportunidades, de emprego, salário. “Acho que todo mundo pode levantar a cabeça e tornar o mundo mais igual. E isso se dará pela educação”, afirmou.

Segundo ele, o lançamento do projeto da Universidade Aberta do Brasil na África foi a realização de um “sonho de anos”, lamentando que, “nas relações internacionais, as coisas demoram mais do que a gente gostaria”. Segundo ele, ainda este ano o governo quer lançar a pedra fundamental da Universidade Afro-Brasileira, em Redenção, no Ceará (onde começou a luta contra a escravidão).

A Universidade Pedagógica de Moçambique (UP) e Universidade Eduardo Mondlane são as primeira instituições estrangeiras a fazer parte da Universidade Aberta do Brasil. As aulas devem começar antes do fim do ano.

Criada em 2006, a UAB é um sistema integrado por 91 universidades públicas, que oferece cursos de nível superior por meio da educação a distância. A prioridade é dar formação aos professores que atuam na educação básica. Atualmente, ela tem cerca de 600 polos – todos no Brasil – com aproximadamente 200 mil alunos.

A expectativa é que mais de sete mil estudantes participem de quatro cursos em quatro anos, nas disciplinas de gestão pública, pedagogia, matemática e biologia. Os diplomas serão reconhecidos nos dois países e os cursos terão metade do currículo desenvolvido em cada um deles, bem como o número de professores.

“Duvido que vamos encontrar no mundo um projeto de colaboração tão bem construído, trabalhado e discutido”, afirmou Carlos Bielshowsky, secretário nacional de ensino a distância do Ministério da Educação (MEC). “Diferentemente de outros que conheço, não foi feito no sentido Sul-Norte, com imposições.”

Professores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UniRio), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal de Juiz de Fora e Universidade Federal de Goiás irão trabalhar na implantação dos cursos. Um coordenador residente virá da Universidade Federal de Mato Grosso. O projeto tem financiamento garantido de US$ 32 milhões (R$ 54 milhões).

Edição: Talita Cavalcante

Lula cá. E, parece, a Suzano também

Duas reportagens publicadas na Agência Brasil.

24/10/2010
África se firma como prioridade nas relações comerciais do Brasil

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo – A África foi uma das regiões escolhidas pelo governo brasileiro para diversificar laços comerciais e de relacionamento diplomático. Desde que assumiu o poder, em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já esteve em 27 países do continente.

A última visita antes de deixar o cargo será a Moçambique, entre os dias 9 e 10 de novembro, a caminho do encontro dos líderes do G20 (grupo das maiores economias mundiais, incluindo países emergentes) em Seul, capital da Coreia do Sul.

Em Maputo, Lula vai conhecer o local onde será instalada uma fábrica de medicamentos antirretrovirais, para tratamento da aids, a ser gerida pela Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz). A planta será instalada em um galpão ao lado do local onde hoje já funciona uma fábrica de soros do governo moçambicano.

Será a primeira fábrica pública de medicamentos contra a aids na África. Até agora, o continente abriga apenas pequenas plantas privadas na África do Sul, no Quênia e em Uganda. O presidente também dará uma aula magna na Universidade Pedagógica de Moçambique, que está prestes a se tornar a primeira instituição estrangeira a integrar a Universidade Aberta do Brasil, que forma e qualifica educadores por meio do ensino a distância.

Esses são dois exemplos dos mais de 30 projetos de cooperação que o Brasil mantém ou auxilia no país. “É uma responsabilidade que está no contracheque dos países que abraçam grandes causas no cenário internacional”, disse o embaixador brasileiro em Moçambique, Antônio Souza e Silva. “São os encargos de quem tem a posição que o Brasil tem hoje em dia, de líder no G20 financeiro, de participante ativo das discussões da OMC [Organização Mundial do Comércio] e de aspirante a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas”.

Instituições públicas brasileiras também ajudam Moçambique a implementar uma série de projetos, entre eles o curso de formação profissional no setor manufatureiro, com o apoio do Serviço Nacional da Indústria (Senai); o mestrado para ciências da saúde, com o apoio da Fiocruz; e a informatização da Previdência Social do país, com acompanhamento da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev).

Entre os projetos, estão ainda o de melhoramento agrícola, com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) nas áreas de reflorestamento de Machipanda, na fronteira com o Zimbábue, e o de desenvolvimento do Pró-Savana, programa nos moldes da parceria com o Japão que viabilizou uma série de culturas no cerrado brasileiro.

Também é da Embrapa um dos projetos mais ousados em andamento na África para melhoria de culturas agrícolas: o desenvolvimento de tecnologia de aperfeiçoamento do algodão em países pobres como o Benin, Burkina Fasso, o Chade e Mali. Em toda a África, são mais 150 projetos de cooperação. Segundo a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), os programas movimentam recursos da ordem de US$ 40 milhões.

Além da atuação diplomática, o Brasil também passou a disputar espaço no crescente mercado africano, como já fazem os emergentes Índia e China. De acordo com o Panorama Econômico Africano 2010, elaborado pelo Banco Africano de Desenvolvimento, o crescimento econômico médio do continente, entre 2006 e 2008, estava na casa dos 6% ao ano. Caiu para 2,5% no ano passado como consequência da crise mundial.

Entre 2002 e 2008, as exportações brasileiras para a África aumentaram 340%, três quartos de itens manufaturados. Antes da crise, o volume total de negócios bateu a casa dos US$ 26 bilhões em 2008. No ano passado, a corrente comercial foi de US$ 17,2 bilhões, sendo US$ 8,7 bilhões em exportações e US$ 8,5 bilhões em importações. Em 2002, não passava de US$ 5 bilhões.

Os principais grupos de produtos exportados para a África são açúcar e confeitarias; veículos e peças sobressalentes; carnes; óleo refinado de petróleo; máquinas e similares; minérios; óleos; cereais; materiais elétricos e eletrônicos; e produtos de ferro e aço.

Angola é o principal parceiro comercial brasileiro no continente e um dos maiores destinos de exportações brasileiras em geral, à frente do Canadá, dos Emirados Árabes Unidos, da Austrália e Índia. Também são parceiros no continente a África do Sul, Nigéria e o Egito, entre outros.

Empresas brasileiras de grande porte já atuam na região, como Marcopolo, Camargo Corrêa, Votorantim, Embraer, Petrobras, Odebrecht, WEG e Vale, que recentemente lançou a pedra fundamental de uma mina de cobre na Zâmbia. A empresa também vai começar a exportar, em meados do ano que vem, carvão mineral da região moçambicana de Moatize, na Província de Tete.

24/10/2010
Empresa brasileira de papel e celulose quer montar fábrica em Moçambique

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo – A empresa brasileira Suzano quer produzir papel e celulose em Moçambique. Representantes da empresa estiveram no país no início do mês, visitando pontos onde o empreendimento poderá ser montado. “Nós sentimos que eles [Suzano] estão cada vez mais interessados em se estabelecer aqui”, disse o diretor nacional da Indústria de Moçambique, Sidone dos Santos.

A comitiva da empresa brasileira visitou áreas nas províncias da Zambézia, de Nampula e de Cabo Delgado, no Centro-Norte do país, que já estuda investimentos de infraestrutura na região, por causa de outros projetos em implantação. Um dos principais é o de exploração de minérios pela brasileira Vale e pela australiana Riversdale, na vizinha Província de Tete. A demanda é por melhores condições de transporte para escoar a produção pelos portos da Beira ou de Nacala.

A Suzano ainda não apresentou formalmente o projeto de investimento. As autoridades moçambicanas esperam que ele envolva toda a cadeia produtiva, do plantio do eucalipto até o processamento final do papel e da celulose. “Temos grande necessidade de uma fábrica dessas aqui, mas que venda para nós também. Gastamos demasiadamente com importação”, disse Santos. Moçambique importa praticamente todo papel que consome, de embalagens a papel higiênico, papel de jornal, cartões e outros derivados da celulose.

Por haver a possibilidade de envolver a plantação de eucaliptos e pinus, matéria-prima da celulose, o projeto também precisará da aprovação do Ministério da Agricultura, que vai analisar o impacto ambiental da iniciativa.

Procurada pela Agência Brasil, a Suzano preferiu não fazer comentários a respeito do projeto, o segundo envolvendo o setor de papel e celulose trazido para apreciação do governo moçambicano este ano. Em março, a portuguesa Portucel divulgou que pretende investir US$ 2,3 bilhões no país até 2025. A planta, ainda em processo de aprovação, irá servir ao mercado asiático e deve produzir 1 milhão de toneladas por ano.

A Suzano Papel e Celulose tem cinco fábricas, todas no Brasil, mas atua fortemente no exterior. No ano passado, a Ásia foi o principal destino de suas vendas, com 44,9% de participação. O segundo maior mercado foi o europeu, com 32,9%. Na sequência vêm América do Norte (6,7%) e América do Sul (0,9%).

As vendas para o mercado brasileiro absorveram 14,7% da produção da Suzano. A companhia produziu 1,6 milhão de toneladas em 2009, ano de recuperação da demanda por celulose no mercado internacional, sendo que 1,5 milhão foi vendida fora do Brasil. A empresa tem investimentos programados da ordem de US$ 6 bilhões para a construção de novas plantas no Maranhão e no Piauí.

Edição: Vinicius Doria

Inaugurada a TV Brasil Internacional

Franklin, Lula, Tereza. E, no ar, a TV Brasil Internacional

A África é o primeiro continente a receber o sinal.

Aqui você vê a reportagem que o Lucas Rodrigues fez para o Repórter Brasil, sobre a cerimônia no Itamaraty, em Brasília, na segunda-feira, dia 24 de maio.

E aqui a reportagem daqui de Maputo sobre a chegada do sinal à África. Com um trecho da mensagem do presidente de Moçambique, Armando Guebuza, que foi mostrada na cerimônia de Brasília.

Abaixo, o texto da Agência Brasil sobre o evento.

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse há pouco, durante o lançamento da TV Brasil Internacional, que o novo canal servirá para mostrar para o mundo a verdadeira imagem do Brasil e o que o país tem de melhor.

“Estamos realizando mais um sonho, de que ainda não acordamos. Essa TV pode ser o jeito de ser deste país, na cultura, no futebol, na política. Uma TV plena que vai desnudar este país maravilhoso que o mundo não conhece”, discursou Lula.

Segundo o presidente, atualmente a imagem do Brasil no exterior é como se fosse transmitido os piores momentos do país e a TV Brasil Internacional servirá para mudar esse quadro. “Essa TV pública pretende ser a cara do Brasil no exterior. Quando fazemos as coisas lá para fora parece que fazemos os piores momentos. Então, não queremos que fique lá fora a imagem dos piores momentos do Brasil, mas a imagem que somos”, afirmou.

A TV Brasil Internacional inicia hoje (24) sua transmissão para 49 países do continente africano. O canal será transmitido em língua portuguesa, como fazem os canais das TVs públicas internacionais (BBC/Inglaterra, RTVE/Espanha, RAI/Itália, Canal Cinq/França, NHK/Japão), que transmitem em sua língua natal.

A programação será composta por conteúdos próprios da TV Brasil, com ênfase em aspectos informativos e culturais sobre o Brasil, ajustados ao fuso horário de Angola, que é de quatro horas a mais que o horário de Brasília.

Em seu discurso, Lula disse ainda que o novo canal servirá para mostrar aos céticos que “nem tudo que é público é ruim e o que é privado é um centro de excelência”. Para ele, é possível construir uma televisão pública sem ser apenas um canal de divulgação das ações do governo.

“Tem gente que elogia a BBC, que é um veiculo de comunicação pública. Queremos provar que é possível fazer uma TV pública de qualidade, republicana, que não seja chapa branca nem oposição”.

A presidente da Empresa Brasil de Comunicação, Tereza Cruvinel, disse que a ideia de começar a transmissão do canal internacional pela África se originou da demanda daquele continente por programação audiovisual e também pela dívida que o Brasil tem com o povo africano.

“Entendemos que, tal qual pensa o presidente Lula, temos uma dívida enorme com a África que não pode se paga com dinheiro, mas com solidariedade”, disse Cruvinel. Segundo ela, a TV Brasil Internacional também vai ter em sua grade de programação o conteúdo produzido por outros canais públicos, como as TV Câmara, Senado e Justiça.