O país em que não se podia dançar

Sábado falei de Samora aqui, sobre a força que o nome dele mantém.

Herói revolucionário e primeiro presidente do país, era uma espécie de Lula para os moçambicanos: o cara que veio do povo (era enfermeiro), virou líder durante a guerra revolucionária, foi presidente, mobilizava as massas, fazia discursos memoráveis. E morreu no poder, o que mitifica ainda mais o ídolo (veja aqui uma reportagem que fiz quando do aniversário da morte dele).

Hoje em dia, todas as notas de metical (o dinheiro moçambicano) têm a efígie de Samora (“efígie” – não “esfinge”, pelamordedeus).

Samora não era uma unanimidade, tanto que houve uma guerra civil no país. Mas da parte “difícil” da postura dele – como, por exemplo, ter criado “campos de reeducação” para alguns que não pensavam como o governo – pouco se fala.

Justamente esse lado duro (de certo modo, inevitável, quando visto pelo prisma das circunstâncias do momento) gerou histórias como a que a Sandra colocou hoje no Mosanblog – sobre a proibição para… dançar.

Clique aqui para ler.

Coisa de gente que quer ser autoritária, mas não tem coragem. Ou de chefetes, que fazem o que fazem achando que aquilo vai ser uma sensacional puxada no saco do chefe.

Nem sempre funciona.

Lembro, em um dos lugares em que trabalhei, que existia um mal estar com um sujeito lá, porque, alegadamente, “o patrão não gostava dele”. O cara só dava entrevista quando não tinha jeito de evitar – era um proeminente nome da República de então.

Pois, durante uma viagem, tive a chance de almoçar com o patrão. No outro lado do salão, o referido sujeito comia sozinho. O patrão levantou, pegou o cara pelo braço e trouxe o nego pra almoçar na nossa mesa.

O papo foi animadíssimo. E eu ali, com aquela cara de besta, sem entender.

De birra, passei a entrevistar o cara sempre que pude. Ninguém falou nada, nunca.

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Se dois já incomodavam…

Além do ElefanteNews e do Mosanblog, convido os interessados em África a conhecer o Na Ponta do Lápis, do meu sobrinho Guilherme, que vai fazer 15 anos.

Ele ficará seis meses aqui conosco para, como eu pus aí ao lado, ver que o mundo vai além de Itaquaquecetuba.

Poderia ter escrito Itaquera. Mas daí já ía ter quem achasse que era uma provocação com a pouquíssima milhagem do nosso Córintchia.

E é. Itaquaquecetuba, pra quem não sabe, é na Via Dutra, logo depois que sai de São Paulo, a caminho do Rio. Só acho o nome mais sonoro que Itaquera. Só isso.

Dêem uma trombada lá também.

Precisa-se de vedador para elefantes

Cansado da rotina? Procurando um trabalho mais emocionante?

Que tal um que proporcione 15 dias por mês no campo, longe de carros, barulho, poluição?

Clique aqui, no Mosanbolg, para conhecer uma profissão que pode interessar os verdadeiramente empenhados em mudar de vida.

Mia Couto no Mosanblog

Sandra acompanhou os coleguinhas que cá estiveram em uma conversa com o autor moçambicano.

Dê uma olhada clicando aqui.

Logo depois dos protestos do início de setembro estive com ele, que fez alguns comentários sobre as manifestações na Agência Brasil (você pode reler clicando aqui).

A cada conversa com ele, fico mais fã. Grande autor, ótimo papo.

De lupa e de helicóptero

Retratar a realidade é tarefa complexa, que enfrentamos todo dia na vida de jornalista.

Às vezes uma boa história sobre um único personagem pode dar a entender que toda uma comunidade passa pelo mesmo apuro ou vive a mesma felicidade.

Outras vezes, por inexperiência, pressa – ou má fé – joga-se luz nas opiniões de três ou quatro, como se fossem a sensação única, de todos.

O contrário também acontece. Só falar no geral, mostrando estatísticas, fontes oficiais, não traz o espectador para perto da notícia. Sem encontrar bons personagens, o sujeito que recebe a informação não se sente parte daquele universo e não se conecta com o fato.

O ideal é a boa mistura: olhar o mundo de lupa e de helicóptero.

Sandra passeou por Maputo esses dias. Ela não é mais jornalista, mas continua sabendo identificar boas histórias pela lupa. E de vez enquanto também pega o nosso helicóptero…

Vai lá no Mosanblog pra ver, clicando aqui
ou no ícone aí no lado direito da tela.

Dois incomodam, incomodam muito mais!

O ElefanteNews não vaga mais solo pelas pradarias do sul do Moçambique. Ganhou um irmão, o Mosanblog – o blog da Sandra em Moçamba.

Lá, a Sandra conta detalhes da nossa vida aqui em Maputo, relata por onde ela anda com o nosso cão Otto (câo, no sotaque daqui) e mostra muito melhor como são as coisas aqui, porque ela não apenas fotografa melhor que eu, como também sabe colocar as fotos no blog!

Clique aqui
pra ir direto pro Mosanblog.