Angola, Brasil, petróleo

Estão à procura aqui em Moçambique, estão à procura em Angola, estão à procura no Brasil. E cada vez precisam ir mais fundo para encontrar.

No caso do petróleo, encontram.

Já os patrulheiros vão continuar cavando, cavando. Gente que se julga especialista em águas profundas. Mas quando não acha nada, espalha lama.

Abaixo, reportagem da Agência Brasil.

20/09/2010
Angola quer ajuda da Petrobras para mapear o pré-sal africano

Eduardo Castro
Correspondente da EBC para a África*

Maputo (Moçambique) e Brasília – O Ministério da Defesa de Angola quer o apoio do Brasil para mapear a plataforma continental daquele país. “Estamos à espera de receber nos próximos dias uma delegação brasileira, com quem vamos entabular conversações com vista à organização desse programa”, afirmou o ministro Cândido Pereira Van-Dúnem à agência portuguesa de notícias Lusa.

A chamada plataforma continental começa na linha da costa e vai até a profundidade média de 200 metros. Tem entre 70 e 80 quilômetros de largura. Grande parte do petróleo explorado no mar se localiza nela.

A possibilidade de haver mais petróleo na camada pré-sal angolana levou as autoridades a apostar no levantamento. Tanto o ministro da Defesa quanto a titular da pasta da Justiça, Guilhermina Prata, estiveram no Brasil em agosto para tratar do tema. A região é uma das áreas de interesse da Petrobras no exterior, juntamente com a América Latina e o Golfo do México.

De acordo com a estatal brasileira, há similaridades em termos de bacias sedimentares entre a Costa Oeste da África e o litoral do Brasil. No entanto, a Petrobras reitera que, antes de qualquer conclusão sobre haver ou não petróleo na camada do pré-sal angolano, ainda são necessários muitos estudos sobre a região.

A Petrobras já atua na exploração de petróleo e gás natural em cinco países do continente: Angola, Líbia, Namíbia, Nigéria e Tanzânia, mas produz apenas em Angola e na Nigéria. Entre as parceiras estão estatais como a Sonangol (Angola), NOC (Líbia) e Nigerian National Petroleum Corporation (NNPC), da Nigéria.

Por meio de parceiras com a Sonangol, a Petrobras explora três blocos na costa brasileira – dois na Bacia de Campos e um na Bacia de Santos. Em Angola, as duas empresas anunciaram a descoberta do Poço Cabaça, em junho deste ano. Na semana passada, o presidente da Sonangol confirmou que a empresa já se preparara para o desafio de explorar a camada do pré-sal. “Vamos procurar”, garantiu Cândido Cardoso.

Durante visita ao Rio de Janeiro, para a Rio Oil & Gas 2010, o maior evento de petróleo e gás da América Latina, Cardoso afirmou que a troca de experiências com a Petrobras é importante para os dois países. “Tanto o Brasil como Angola, do ponto de vista técnico, têm coisas a ganhar”, disse o executivo angolano à agência Lusa.

*Colaborou Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil

Edição: Vinicius Doria

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E já que estamos falando tanto de petróleo…

Na Agência Brasil:

24/08/2010
Mais uma empresa recebe autorização para procurar petróleo em Moçambique

Eduardo Castro
Correspondente da EBC para a África

Maputo (Moçambique) – A empresa sul-africana Sasol vai pesquisar a possibilidade de extrair petróleo na Península de Sofala, em Moçambique. A autorização foi concedida nesta terça-feira (25), na reunião semanal do Conselho de Ministros do país. A concessão para pesquisa e prospecção vale por oito anos. Caso a Sasol a comprove a existência de petróleo, poderá explorá-lo por 30 anos. A companhia deve investir cerca de U$ 25 milhões nesta fase inicial de estudos.

A autorização foi concedida oito dias depois de outra empresa estrangeira, a norte-americana Anadarko Petroleum Corporation, anunciar a descoberta de petróleo na Bacia do Rio Rovuma, no Norte de Moçambique. O óleo está a mais de 5 mil metros de profundidade, o equivalente à camada pré-sal da costa brasileira.

Segundo a ministra de Recursos Minerais, Esperança Bias, ainda não foi confirmada a viabilidade comercial da descoberta. A expectativa é que os estudos complementares fiquem prontos ainda este ano. Mais três companhias fazem pesquisas petrolíferas em Moçambique: ENI de Itália, Petronas da Malásia e Statoil da Noruega.

Moçambique espera pelo petróleo

E então? Tem ou não tem petróleo? Foi o tema da semana por aqui.

Que tem, tem. A dúvida é se dá pra tirar do fundo do mar. A África do Sul já se decepcionou uma vez…

O assunto virou uma reportagem na TV Brasil, que você vê clicando aqui .

E uma outra na Agência Brasil, que você lê aí embaixo.

23/08/2010
Descoberta de petróleo em Moçambique enche o país de esperança e preocupação

Eduardo Castro
Correspondente da EBC para a África

Maputo (Moçambique) – Uma semana depois do anúncio da descoberta de petróleo na costa de Moçambique, técnicos, economistas e pesquisadores aguardam mais informações para avaliar melhor o impacto que a notícia pode trazer ao país. O Ministério dos Recursos Minerais confirmou no último dia 17 que a empresa norte-americana Anadarko Petroleum Corporation detectou a existência de hidrocarbonetos na Bacia do Rio Rovuma. Segundo a ministra Esperança Bias, ainda não foi apurado se a descoberta tem viabilidade comercial. A expectativa é que os estudos complementares fiquem prontos ainda neste ano.

O engenheiro petroquímico moçambicano Inácio Bento ficará surpreso se a reserva não for comercialmente viável. Há alguns anos já se tem a informação da presença de gás na região. Se os estudos continuaram, diz ele, é porque a probabilidade de extração comercial de petróleo é grande. Mas ele lembra que a vizinha África do Sul já passou pela decepção de encontrar petróleo e não conseguir explorá-lo. “Levar esse petróleo do mar para a terra requer investimentos extraordinários. Se o petróleo for pouco, não vale a pena”, explicou o engenheiro.

O óleo está a mais de 5 mil metros de profundidade, equivalente à da camada do pré-sal na costa brasileira. Foi localizado a 30 quilômetros (km) da costa do Oceano Índico, na província de Cabo Delgado, que faz fronteira com a Tanzânia. A descoberta ocorreu na terceira perfuração feita pela empresa. No primeiro furo foi detectada, em maio, a presença de gás natural. Mais seis perfurações ainda devem ser feitas. A Anadarko Petroleum Corporation atua em Moçambique desde 2006 e já investiu US$ 300 milhões nas operações de prospecção.

Para o economista Carlos Nuno Castel-Branco, a estimativa é que as reservas, se comerciais, podem gerar entre U$ 300 e 360 bilhões. Em entrevista ao jornal O País, indagou quanto aos custos de prospecção, exploração e recuperação do meio ambiente. Sem esses levantamentos, disse ele, pouco se pode avaliar sobre os impactos na economia.

Impactos que não se restringem aos campos econômico e ecológico. “Em Angola, foi quase que devastador” lembrou a chefe do Departamento de Sociologia da Universidade Eduardo Mondlane, a brasileira Nair Teles. Segundo ela, as consequências sociais e econômicas da descoberta de grandes reservas no início deste século em Angola foram “muito violentas”.

Angola hoje só perde para a Nigéria em produção de petróleo na África. O óleo responde por 90% das receitas de exportação. Mas a indústria petrolífera emprega somente 1% da mão de obra do país. Cerca de 60% da população ainda dependem da agricultura de subsistência.

Os ganhos do petróleo atraíram investidores, mas transformaram Luanda, capital angolana, em uma das cidades mais caras do mundo. Como a guerra civil acabou há menos de dez anos, as ofertas habitacionais e a infraestrutura ainda são restritas, o que eleva demais os custos de aluguel no centro e nos bairros próximos. Para reduzir o déficit habitacional, o governo de Angola lançou no ano passado um projeto para construir um milhão de casas até 2012.

Um termômetro do interesse crescente na região é o fluxo de imigrantes portugueses. Colônia lusitana até 1975, Angola sempre exportou mão de obra para Lisboa. Há três anos, o fluxo se inverteu. Já há quase três vezes mais portugueses vivendo em Angola (100 mil oficialmente) do que angolanos morando legalmente em Portugal (34 mil).

Nair Teles diz que Moçambique é diferente de Angola, mas os efeitos vividos lá servem de parâmetro para os problemas que podem surgir no país dela. “Acredito ser importante que, desde já, se pense em que tipo de desenvolvimento esse petróleo vai trazer e a quem vai beneficiar”. Ela sugeriu que a sociedade seja envolvida nas discussões sobre o dinheiro do petróleo. “É preciso esclarecer que o país não vai ficar rico no dia seguinte, nem que o nível econômico e social vai mudar de uma hora para outra.”

Edição: Vinicius Doria

Petróleo em Moçambique: quase.

O governo anuncia que está quase. Veja aí abaixo, na reportagem da Agência Brasil.

17/08/2010
Empresa americana encontra petróleo no norte de Moçambique

Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo – O Ministério dos Recursos Minerais de Moçambique confirmou que a empresa americana Anadarko Petroleum Corporation detectou a existência de petróleo na Bacia do Rio Rovuma, no norte do país. O óleo foi localizado a 30 quilômetros da costa do Oceano Índico, entre os distritos de Palma e Mocímboa da Praia, na Província de Cabo Delgado, que faz divisa com a Tanzânia.

Segundo a ministra dos Recursos Minerais, Esperança Bias, ainda não foi apurado se a descoberta tem viabilidade comercial. A expectativa é de que os estudos complementares fiquem prontos ainda neste ano.

O óleo está a mais de 5 mil metros de profundidade, o equivalente à camada pré-sal da costa brasileira e foi localizada no terceiro furo feito pela empresa. No primeiro, já havia sido detectada a presença de gás natural, no mês de maio. No total, seis perfurações devem ser feitas.

Outras três companhias fazem pesquisas no setor em Moçambique: ENI de Itália, Petronas da Malásia e a Statoil da Noruega. O governo estuda propostas para a instalação de mais uma empresa no país.

A Anadarko Petroleum Corporation atua em Moçambique desde 2006 e já investiu US$ 300 milhões nas operações. No fim de julho, a companhia anunciou outra descoberta de petróleo na África, nas águas profundas da costa de Gana, na região de Owo, no Oceano Atlântico. A Anadarko também faz estudos para localizar petróleo em formações geológicas parecidas em outros pontos da costa, entre Gana, a Costa do Marfim, Serra Leoa e a Libéria.