Greve em Maputo: últimas do 2o dia.

Como publicado pela Agência Brasil, depois da reunião do Conselho de Ministros.

A população queria que o governo recuasse. Poderia avançar, anunciando algo novo. Mas só pediu às pessoas que trabalhem.

02/09/2010
Sobe para sete o número de mortos em Maputo após protestos contra alta de preços

Eduardo Castro
Correspondente da EBC para a África

Maputo (Moçambique) – Subiu para sete o número oficial de mortos desde que começaram a manifestações contra o aumento no custo de vida em Moçambique. A informação foi confirmada pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Alberto Nkutmula, depois de uma reunião extraordinária realizada nesta quinta-feira (2).

Segundo ele, o governo não pretende rever os aumentos de tarifas e preços previstos para este mês. Não houve anúncio de nenhuma nova medida. “Estamos em um barco em que não há passageiros ou comandantes. Se o barco está a afundar, temos todos que retirar água, e não ficar de braços cruzados”, disse o porta-voz. “O trabalho árduo é que vai nos tirar, todos, dessa situação.”

Para tentar evitar a repetição dos protestos que paralisaram a cidade ontem (1°), autoridades da área de segurança ocuparam boa parte da periferia hoje (2) usando carros cheios de policiais, com bombas de efeito moral e armas à mostra. Em grandes avenidas, como a Acordos de Lusaka e a Joaquim Chissano, praticamente só circulavam os carros da tropa de choque.

Tratores limparam as avenidas, retirando os restos de construção, tocos de árvores e pneus queimados que serviram para fazer barricadas no dia anterior. Alguns montes de entulho ainda queimavam.

Mesmo assim, manifestantes voltaram a queimar pneus e tentaram fazer bloqueios em alguns pontos, sem o mesmo efeito do primeiro dia – até porque o movimento nas ruas era muito pequeno. “Pela Constituição, o povo moçambicano tem direito de se manifestar. O que não é livre é o ato de vandalismo e a destruição de bens públicos ou privados”, disse o porta-voz.

Ao circular pelo bairro de Maxaquene, a equipe da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) presenciou a ação da polícia, que dispersou um grupo de pessoas que se aglomerava em uma esquina com disparos de cima do caminhão. Não havia barricadas ou bloqueios por perto nem houve aviso. Ninguém se feriu, mas o susto foi grande.

O número oficial de feridos desde o início dos protestos também subiu, para 288. Pelo levantamento da polícia, foram 12 carros queimados e dois postos de gasolina incendiados.

Pelo segundo dia seguido, o comércio da capital de Moçambique não funcionou, bem como o transporte coletivo de massa, as vans – chamadas de chapa 100. As escolas e os bancos também permaneceram fechados, bem como a Feira Internacional de Moçambique (Facim), que vai até domingo (5). Pelas contas do governo, os prejuízos em moeda nacional (meticais) com os dois dias de feriado forçado chegam a MT 122 milhões (cerca de R$ 5,8 milhões).

Os protestos, sem um comando conhecido, foram convocados por mensagens enviadas para os telefones celulares. Depois do primeiro dia de protestos, algumas pessoas circulavam felicitando a população pela “greve” e informando que ela deve continuar até sexta-feira (3).

Edição: Juliana Andrade

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